domingo, 29 de janeiro de 2017

lágrimas


as lágrimas que me caem
não são de tristeza
é cansaço que me dói 

as dores que hoje sinto
são, com certeza,
de um incumprir que corrói 

alma presa sem fiança
alegrias sem festejo 

sorrisos curtos, sem esperança
no cumprir de um desejo

 
 

domingo, 15 de janeiro de 2017

suicídio assistido

"faltou às aulas, porque é estúpida!...
foi para o hospital...
tomou sete comprimidos para dormir...
e mais... o que apanhou..."
Ouvir isto a uma jovem adolescente, em conversa de fim do dia com a mãe, que perguntava se a colega que estava a faltar à escola estava melhor (em semana de reunião de pais, em que vão sabendo destes pormenores...) é...

Triste!

As adolescentezinhas não pararam para pensar que a colega precisará de ajuda e que a sua atitude conta, enquanto pessoas que com ela convivem.

Numa situação em que deviam ser solidárias, adotam uma posição de bullies, que nem sequer reconhecem e que contribuirá para agravar os problemas da "suicida".

Assistem.

Criticam achincalhando.

Alguém terá procurado ajudar?

domingo, 1 de janeiro de 2017

Época de ser feliz (?)


No natal circulam elixires de sorriso – vontades de ser feliz e de fazer os outros felizes…

Acoplada à época e como exigência social (e comercial) vem o “tenho de dar uma prenda!”…

É MUITO triste que assim seja. Triste porque a obrigação de um ato tira-lhe todo o sentido.

Eu faço parte do grupo de pessoas que adora dar prendas, que escolhe cada uma com um desejo profundo de fazer feliz quem a recebe.

Dou muitas? – Não. O encontro é familiar e próximo e a disponibilidade de tempo e dinheiro foi temperada com achaques-do-frio que encurtaram, ainda mais, cada uma delas. Embora o corpo pedisse o abrigo de uma manta no conforto do sofá, o pedido de adiamento do natal não é prenda concedida…

Mas, corajosamente, corri as lojas da zona de trabalho e residência, em cada intervalinho possível, buscando a prenda ideal para cada um. Na véspera fiz um esforço e fui a um grande centro comercial suprir as faltas das tais “prendas ideais” nas proximidades. Já sabia ao que ia – entrei direto em duas lojas e pedi o que queria e, de seguida, fui a uma das que tem-sempre-algo que se adequa a prendas difíceis e escolhi (as que me pareceram ser úteis ou mensageiras de felicidade) para os restantes presenteados. Até as 4 voltas e meia de fila na caixa passaram com facilidade.

Espero que cada um tenha ficado agradado com o presente.

De cinzento na ceia fica a avidez de chegada da hora – que da manhã de 25 da infância passou para a meia-noite e, no despertar de novas gerações e exigência de deslocações, foi madrugando para as 10, 9, 8 e… - e a estranheza do reparo por não ter cumprido a escolha de alguns de que só as crianças receberiam prenda… - fiz questão de presentear todos!

Não que seja a prenda o mais importante… - a minha família vive longe e, na verdade, a prenda desejada era a conversa à mesa, momento único no ano para alguns.

Num panorama nacional, fica de cinzento bem escuro a frase que me pululou na mente toda a ceia, por achar que podia estragar muitos encontros familiares por esse país fora: Preferia Beirão.

Preferia Beirão? Então, da próxima, esqueça o natal!

É que natal também é fazer um sorriso e aceitar os presentes menos desejados ou adequados como se fossem agradáveis surpresas!

Se já tive prendas estranhas ou nadinha-a-ver-comigo? – Sim… Algumas pessoas nem se preocupam, outras não sabem, mesmo, escolher prendas… ficam-se pela tal obrigação.

Passei muitos anos a tentar convencer uma familiar a substituir as meias e os lenços-de-monograma oferecidos aos homens da família por algo diferente; a tentar explicar-lhe que dar cuecas azuis não é agradável e, também, a tentar fazer conversa de quais os pijamas que gosto, para não acumular mais pijaminhas de florzinhas e folhinhos a condizer com roupõezinhos que nunca usarei… Sem sucesso!

Este ano, a cada passo da busca-das-prendas-ideais, sonhei ser pai natal – ter dinheiro que chegasse para me vestir a rigor e cumprir os desejos de natal: desejos das mães de família que olham para as prateleiras de supermercado e repensam e recontam cada tostão a tentar dar cor a uma mesa de simbolismos de felicidade; desejos afogados nas lágrimas de cada pai e mãe que não pode pagar um presente que tenha a magia de pôr um sorriso nos seus filhos na noite desse cear especial.

 

façam-se felizes!

domingo, 16 de outubro de 2016

caminhos de céu e lua

...acordei oito horas depois; descansada.

Devagarinho, fiz o que pude do que não se pode adiar sempre, repeti o que se faz sem que nunca pareça ficar feito.

Os planos mais afoitos contavam com a secura que o céu não deu...

...mas essa promessa de uma lua especial, fez-me aceitar o apagão de eletrodoméstico mal-disposto e planear procurá-la mais logo, para que me ajude a recomeços; mais certos - como se querem, sempre.

Por agora, sem prantos e escolhendo amores, vou-me a desvarios...


Swarz e Teo, num dia de outono disfarçado de inverno

Depois de ver o governador da Califórnia todo nú, num zapping entre golos de Brufen - que devia ter tomado há dez horas atrás - pousei o esqueleto e agarrei nos desvarios da Teolinda. Perdi-me nos contos sortidos e só um telefonema me chamou cá...

A nudez do Swarz sempre me incomodou - nunca consegui ver beleza ou atração em corpos esculpidos a esforço e anabolizantes... Prefiro homens normais.

A Teolinda traz tudo em cada quase nada. Fica a vontade de fazer tempo para juntar mais às duas capas cá em casa...

Os desvarios ficaram pousados, entre coisas e conversas.

A noite veio tarde e o frio, que ainda estranho, foi amenizado pela companhia...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

amigos

a amizade é um lugar especial, onde se juntam duas pessoas e se partilha vida - alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, se recebe e se dá força...

é um poço largo, um lago de águas límpidas, onde nunca se perde o pé

se algum dia a água se turva, há que purgar as impurezas... tarefa de dois. se um se escusa ao desejo, não haverá moeda que o faça cumprir!

os que prezam a amizade podem tentar limpar as águas a solo, mas, não terão força... se insistirem demasiado, pode não haver quem acorde com o som desse esbracejar...

pode perder-se um amigo, asfixiado pelas impurezas que se deixam criar no poço, por mais límpido que ele tenham sido...

...
e tu?
vais (deixar) afogar alguém?
...
 
ter um amigo é coisa rara; ser amigo de alguém, poderá ser mais fácil, depende de ti, dos teus desejos e capacidade de te dares, mas, amizade, é raríssima - é quando coexistem as duas dádivas
estima-a

segunda-feira, 4 de julho de 2016

penas?

guardamos penas
como depenadores de seres alados
que, afinal, somos nós
perdendo as asas
a cada pena arrancada
sangrada
sofrida
perdida
quebrando sonhos de vida
 
vivamos, apenas
deixando as asas
cumprir o voar
 
sorriamos, sem penas
vivendo, crescendo
a cada inspirar

segunda-feira, 6 de junho de 2016

às vezes

...às vezes apetece só escrever [- só - mas, na verdade, escrever apetece quase todos os dias - pode, às vezes, faltar a energia, mas a inspiração não é algo estranho, é algo entranho, entranhado, normal] - não escrever é sufocante...

Caio de sono -  não será um sono de dormir, já, mas um sono de corpo a pedir descanso, num dia desviado de planos. Os planos clamam atenção, o dia corre e os outros correm atrás dele.

Estranho, sempre, essa corrida. Queria, mais, contemplar a vida, toda - esse mundo que me rodeia e perco o tempo sem ver.

Vou correr, um pouco mais, e, depois, deixar o corpo vencer, pousar e levar a cabeça com ele, ao repouso.

E falha a energia, escrevo pouco - vou consumir a que resta noutras escritas, de corrida - querida, mas sofrida...

sábado, 16 de abril de 2016

muro da felicidade

O que é, para ti, ser feliz?
 
Partilha a receita no muro da felicidade!
 
http://padlet.com/wall/qitqefx8hcyz
 
(clica na imagem para escreveres)
(podes participar anonimamente, assinar ou usar o teu perfil no padlet;
cada um poderá editar os seus contributos)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

máscara


Se pudesse, chorava
mas são proibidas, as lágrimas…
Se pudesse, gritava
para dar voz às, presas, mágoas… 

Mas, neste mundo, não posso
ser pessoa é proibido.
Põe-se uma máscara de bicho
vive-se a vida escondido… 

Olho os olhos que espreitam
procuro uma luz lá no fundo…
mas almas não se vislumbram
nem por um breve segundo…

terça-feira, 5 de abril de 2016

perdidos

perdidos
estamos todos
perdidos
no meio
de um enleio
no fundo
de poço liso
 
perdidos
 
dá as mãos
encontra
outras mãos
gestos sãos
usa os calos
escava socalcos
sobe o poço

sábado, 6 de fevereiro de 2016

onde páras, alma?...


 
onde estás, que não te sinto
ao alcance da minha mão
num sentir de te agarrar
e aconchegar no coração 

onde estás, que não te sinto
num sentir de entender
a que não consigo chegar
para cumprir um viver 

escapas, pelas folgas dos dedos
sem outras mãos para ajudar 

escapas, por entre os segundos
num ritmo que nos vai matar

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Como podes ter uma vida feliz?


Quando um livro para maiores de sete anos nos explica as coisas da vida...

O que é a vida? é o nome de um livro maravilhoso de Oscar Brenifier com ilustrações de Jérôme Ruillier, publicado pela Dinalivro e que faz parte da coleção "Filosofia para crianças".

Escolhi esta ilustração pela caricatura que representa para nós, adultos - mas o livro é uma delícia e aconselho a leitura a todos. Para os que têm prendas atrasadas para a quadra natalícia é uma sugestão!

Esta coleção traz interrogações e leva as crianças e jovens* a pensar sobre muitas temáticas fundamentais.

* e não só :D



Não resisto a partilhar mais umas páginas, 

mas deixo a nota de que os livros têm várias perspetivas de cada questão!


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

DAZSilusão - Ora, bolas!

Gosto de sorvetes, sim, aqueles "gelados" que são cremosos e, preferencialmente, de fruta, mesmo...

Tenho Tinha a Häagen-Dazs como referência de gelados saborosos, mas, pelo seu preço elevado, não é uma marca que consuma regularmente...

Ora, um destes dias, apetecia um sorvete e resolvi sentar-me a saboreá-lo - ainda que a zona de comidas do El Corte Inglês não seja o sítio mais agradável para conversar, estávamos cansados de andar e queríamos sentar-nos um bocado.

Escolhemos os sabores (infelizmente, não havia o meu favorito...) e observei a técnica de "enrolamento das bolas"..............................

...a "menina" escavava a caixas (de gelado não tão fresco como eu esperaria!) formando uma bola oca no meio...

Assim, pagámos - por 2 copitos com 2 bolas que "afundaram" assim que comecei a comer - a "módica" quantia de 9,70 €.

Cada geladito oco custou 4,85 €.

Ora, bolas! Haagen-Dazs, vai roubar para outro lado!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

agarrem a beleza

meia dúzia de rabiscos
podem ser belos

simplesmente
interessa a assinatura?
é mais belo por isso?
a imagem?
a mensagem?

domingo, 26 de julho de 2015

+1 colibri


Diz a avó:
-aaaai! não é pachacha nem mijona, é vagina!
Diz o neto entre o riso  da incredulidade:
-Vagiiiiinaaaa? Oooooh... Vagina!...