quinta-feira, 29 de maio de 2014

suicide note


...

repensou a coerência que a afastara sempre do suicídio: 
ainda que nunca tivessem havido épocas de felicidade, acusar-se-ia de má pessoa se não desse ao mundo tudo e que tinha para dar! 
? mas:
afinal, até dádivas sem preço-posto eram mal-vindas, num mundo cada vez menos normal, onde já todos os humanos parecem caminhar para uma desumanidade incomportável com a sobrevivência…
toda a utilidade não utilizada é desperdício, afinal
porque não?
era cobardia? não! era, apenas, o desistir de uma luta sem fim e sem companheiros de batalha – inútil, desgastante… era o não conseguir mais respirar, sequer, de tanto aperto no peito…
lembrou os seus pressupostos de vida: a partilha, a amizade, o amor…
? mas: em que lugar isso tem importância? e para quem se, até os que apregoam humanidade são como crentes que repetem ladainhas junto ao altar e ignoram ou sentem, até, repulsa dos que gritam por pão na escada do templo?
e depois… todo esse mundo-de-obrigação que a espanca em cada dia, pelos abusos dos que querem ser importantes e esconder a sua pouca sabedoria, todas as humilhações vis dos que vivem qual brincadeirinha de adolescente com as amigas, humilhando, planeando enganos e fraudes-de-culpar-o-santo e, saindo fortes e vitoriosos, quando ao santo resta desmaiar ao fim de cada dia de trabalho?
...

quinta-feira, 15 de maio de 2014

batismo de voo


Hoje, aprenderam a voar...
São quatro - lindos, rolicinhos - um mais afoito, os outros mais a medo, vão dando saltinhos e voando um pouco...
...amanhã, não sei se ainda estarão por cá...
E só hoje entendi onde estava o ninho, pois os pais, apesar de me olharem, por vezes a um metro, com comida no bico, não seguiam caminho sem que eu me afastasse!
Ainda trouxeram comida, hoje, mostrando-a como incentivo, de um lugar mais acima.
Os meninos estão crescidos, de penas fofas, que lhes dão quase o tamanho dos pais.
São maravilhosas, as viúvas que me dão essa grandiosa dádiva de fazer ninho no meu cantinho florido!
De penas negras, brilhantes, e caudas vermelhas.
Foi o momento feliz do dia, à chegada a casa, vê-los todos, a saltitar e a voar mais longe...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

os meus sentimentos...

De fato solene e cara triste, perfilavam-se enquanto se ouvia um cântico de lamento...
depois, alguns discursaram, em tom de elogio, mas com a cara lamentosa e
os que ouviam, estavam distribuídos, como é uso nos funerais, em grupos mais ou menos silenciosos...
dos mais chegados, uma dava touchtadelas em posição mais displicente (tem uma criança pequena, compreende-se!)... outro fazia-o de forma mais discreta...
os jovens estavam todos juntos, mas, alguém os deve ter instruído e... nem falavam e só tentavam dominar o sono revelador do profundo desinteresse pelos elogios fúnebres...
as flores eram todas iguais, mas monocordicamente dispostas, sem arte nem alma...

depois mudou o cenário e vi um pouco da festa, no largo do Carmo!
É o que dá ver televisão...
 Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia

9000

esta coisa dos números redondos...
tentei, há uns dias, "apanhar" o 8888 - porque a sensação de infinito era sublime! mas, não consegui e, hoje, chego aqui e... dou com o 9000...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

27


Foi há pouco mais de dois anos e meio que me iniciei nisto dos blogs. Precisava, mesmo, de libertar a alma, nesse dia - à hora de almoço, prometi que ia abrir um blog - e foi o que fiz essa noite!
Neste momento, tenho três blogs - com finalidades diversas e, certamente, visualizados por pessoas diferentes. Acabo de contabilizar cerca de 27 mil visualizações (27 207) - e isso é tão estranho... Ser lida... É verdade que estamos na rede e que os meus outros blogs são mais informativos e específicos, mas, aqui, o objetivo era libertar o meu desejo de escrever, que, no fundo, é uma necessidade intrínseca (que, infelizmente, continuo a praticar de menos), e talvez tenha de encarar essa coisa dos 'leitores' como o alcance de mensagens que espero serem úteis no crescimento de outras almas...
Este pseudo-pseudónimo que uso é o espelho do que transmito (ainda que os gritos que liberto sejam tão diversos e desconexos como prometi, logo no começo) - o que a minha alma precisa dizer, aqui e ali, quando precisa, por já não caber dentro do meu corpo... esse invólucro que me moldam e que ainda não controlo, apesar de múltiplas tentativas... lá chegarei, e chegarei antes de subir a outro corpo, que mais espiritual seja, pois quero viver esta vida, com todos os condicionalismos que nos traga...
Sinto tanta falta de escrever, ainda...
Mais a falta de soltar as palavras-pensamento, sem preocupações de nexo, mais o que outros chamam poesia e é isso, apenas, pensamento. Serão poetas todos os que gostam de palavras-pensamento?
Porque uso este nome e não o que está nos mil documentos que me autorizam a (sobre)viver? 
Não sabem a resposta? 
Alguns conhecem-me de outros mundos e... 
...só quero que quem aqui me leia, leia o que aqui se lê de olhos limpos, sem ideias pré-feitas sobre quem eu possa ser... Assim, lerão a mensagem, em vez de tecerem considerações sobre a pessoa que pensam que sou. Lerão livres das grilhetas que puseram no meu ser. Ler-me-ão como nunca leriam se tivessem as palas do condicionamento que nem sentem e os leva a criticar tudo e todos. 
E depois, então, como já vos disse, lerão a vossa mensagem no que escrevo - porque cada um lê a sua e até eu, que escrevo aqui, leio algo novo de cada vez que me possa aqui chegar a estes pensamentos... alguns mais ligeiros, outros mais do fundo da minh'alma.
Verão muitos "erros", certamente... Quase tudo o que aqui escrevo é escrito direta e imediatamente, sem filtro, sem a inútil e cerceadora preocupação da perfeição...
sejam felizes
alma minha