quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

sal e sombra


fogem dos meus olhos
sem que as consiga prender
teimam em sair
fugir
como se fugindo
levassem com elas a dor
e houvesse num recanto
amor
para o vazio preencher

nadir


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

sms

queria parar o tempo
parar tudo
poder pensar
luxo
pensar é um luxo
penso bibliotecas inteiras num só dia
mas fogem as palavras na solidão

parar
de correr atrás de nada
para lugar nenhum
sem destino
sem fim
sem crença
que essas
perdem-se em cada dia

não ter prazo
nem tarefas inglórias
ditadas por aventesmas
que foram erguidas para os degraus de cima
e cospem e escarram
sem mais utilidade

e talvez quisesse
que escrever estas linhas em dois minutos 
não fossem estranheza para ninguém
pois
assim
haveria alguém com quem as fazer som

domingo, 8 de dezembro de 2013

s(ab)erei



Não sei
se sabe alguém
porque vivo assim
tão longe de mim
e do que desejo

Não sei
saberá quem?
se um dia enfim
chegará p’ra mim
o tempo qu’invejo

Cobiço,
mas só do destino
que nada roubei
nada roubarei
apenas me dou

Postiço,
o tempo que vivo,
porque sei
que não encontrei
quem veja quem sou…

sol meu (?)



não sei, quanto tempo, não sei
é possível viver
sem sol, cor, luz, calor

estremeço, esbato-me, desapareço, congelo
onde estás, calor humano?
paguei o bilhete da vida, bem caro, e,
até agora,
pareço ter perdido a viagem

onde estás sol meu?