domingo, 8 de dezembro de 2013

s(ab)erei



Não sei
se sabe alguém
porque vivo assim
tão longe de mim
e do que desejo

Não sei
saberá quem?
se um dia enfim
chegará p’ra mim
o tempo qu’invejo

Cobiço,
mas só do destino
que nada roubei
nada roubarei
apenas me dou

Postiço,
o tempo que vivo,
porque sei
que não encontrei
quem veja quem sou…

sol meu (?)



não sei, quanto tempo, não sei
é possível viver
sem sol, cor, luz, calor

estremeço, esbato-me, desapareço, congelo
onde estás, calor humano?
paguei o bilhete da vida, bem caro, e,
até agora,
pareço ter perdido a viagem

onde estás sol meu?

solidão comunitária




quando olho em redor, vejo uma imensidão de pessoas sós
algumas conversam, aglomeram-se brevemente
mas
acho que, provavelmente, deveria estender ao limite possível e desagradável, aquela expressão que ouvi: as comunidades não existem, formam-se momentaneamente, fruto de necessidades ou circunstâncias…
e, o problema, é que parecemos padecer de um medo tão grande dos outros e das circunstâncias, que qualquer comunidade é ténue, lábil, e pode ser desfeita com um simples estalar de dedos, ou, melhor diria, com um insignificante lapso de comunicação (os media de comunicação podem levar a isso: e-mails, plataformas sociais on-line e até espaços físicos de momentos de encontro e, até, a trica ou mexerico a que se dá credibilidade num mar de conversas fúteis, ou fruto de mentes inseguras que espalham ódio para colher frutos amargos e estéreis…)
não investimos em relação humanas
mas, dependemos delas,
são tão importantes como o ar que respiramos
mas fugimos
fugimos de pessoas
e morremos
todos os dias um bocadinho
de solidão
escolhida ou imposta
por este estado de ser
humano
imagem: "Finding Peace in Solitude" by Si2 
 in:  http://disjointedthinking.jeffhughes.ca