sábado, 9 de novembro de 2013

Quando somos pequeninos...


Quando somos pequeninos,ninguém nos diz como é viver…

Ninguém nos ensina a precaver o sofrimento, as dores que, mais do que de crescimento, são dores do errado acercando-nos e corroendo as luzes que teimam em brilhar no nosso pensamento. Aquele sorriso que temos, fruto de cada descoberta, de cada passo dado num mundo maravilhoso, tropeça na malvivência alheia e transforma-se num esgar de sofrimento, em cada minuto em que somos confrontados com a consagração do malfeito.

Se, numa transição para o mundo-dos-grandes, ainda nos permitem brados de insatisfação, quando lá ficamos, somos açoitados de cada vez que vemos um arco-íris – sacrilégio, almejar ao belo! 

Cada desenho tem de ser casa branca de telhado vermelho – ainda que não os haja à vista, com chaminé de há dois séculos, ladeada de árvore de copa redonda e verde  e com uma nuvem de algodão a bordar um céu celeste…

Cada casa tem de ter as mesmas paredes, o mesmo quadrado, as mesmas janelas…

E, depois, todos vemos e vivemos esse quadro feio, onde já ninguém sorri.


Muito menos os que pensam, e podiam salvar o mundo…

terça-feira, 5 de novembro de 2013

?


diário de uma mulher normal, 5 de novembro

o dia começou num repente de tarefas a mais...
tarefas sem lucro, afinal, tirando apenas a esperança no cumprir de outrém...
e continuou, continuou com os afazeres, o cansaço, o não-páro, a submissão às urgências-de-"tenho-de-mandar-para-verem-que-sou-chefe", em nada devendo ser urgentes - ou por pura constatação, ou por tardia comunicação...
as quezílias de marias-da-pide e marias-metidas-ao-rato incomodando a vontade de trabalhar e cansando, até à exaustão-mais-que-exausta
afinal, todo o dia foi quasi-totalmente inglório - ou a vã ânsia de trabalhar, produzir, ser, não fossem depostas por essa insã glória do posso-quero-e-mando!
a volta ao ninho foi confusa - pelos afazeres se passou, pelos vislumbres aos de sangue, pelos tropeções de cansaço e os sustos de amigos em perigo...
quase no fim
perde-se a ponte
e
no fim da lista de contatos
um cursor de dúvida saltita

o dia foi...
mau

será sempre assim,
quando os elixires fundamentais evaporam e não são repostos

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

...je ne suis pas apprivoisé...


Há uns anos atrás, parecia-me impensável que alguém não tivesse lido o capítulo XXI… (fora os mais velhos que eu e excluídos do sistema escolar*, claro) – Hoje não sei… Até eu, já nem sei quando o li pela última vez…
http://www.ebooksgratuits.com/pdf/st_exupery_le_petit_prince.pdf
Já devo ter falado aqui do principezinho, não?
Mas resolvi trazer o livro, e tal como foi escrito - não em Português, pois podia correr o risco de me aparecer uma daquelas edições que transformaram a sua palavra mais importante em aberrações como “prender-me a ti” – se, até eu, depois de procurar durante anos, acabei por encontrar uma tradução que, se não peca por não “cativar”, peca por incapacidade de transmissão do sentido sentido das frases!
Cliquem na imagem, e leiam Saint-Exupéry…
- Qu’est-ce que signifie «apprivoiser»?
- C’est une chose trop oubliée, dit le renard. Ça signifie «créer des liens...»


*ou outro substituto educativo mais eficaz que esse…