quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

sms

queria parar o tempo
parar tudo
poder pensar
luxo
pensar é um luxo
penso bibliotecas inteiras num só dia
mas fogem as palavras na solidão

parar
de correr atrás de nada
para lugar nenhum
sem destino
sem fim
sem crença
que essas
perdem-se em cada dia

não ter prazo
nem tarefas inglórias
ditadas por aventesmas
que foram erguidas para os degraus de cima
e cospem e escarram
sem mais utilidade

e talvez quisesse
que escrever estas linhas em dois minutos 
não fossem estranheza para ninguém
pois
assim
haveria alguém com quem as fazer som

domingo, 8 de dezembro de 2013

s(ab)erei



Não sei
se sabe alguém
porque vivo assim
tão longe de mim
e do que desejo

Não sei
saberá quem?
se um dia enfim
chegará p’ra mim
o tempo qu’invejo

Cobiço,
mas só do destino
que nada roubei
nada roubarei
apenas me dou

Postiço,
o tempo que vivo,
porque sei
que não encontrei
quem veja quem sou…

sol meu (?)



não sei, quanto tempo, não sei
é possível viver
sem sol, cor, luz, calor

estremeço, esbato-me, desapareço, congelo
onde estás, calor humano?
paguei o bilhete da vida, bem caro, e,
até agora,
pareço ter perdido a viagem

onde estás sol meu?

solidão comunitária




quando olho em redor, vejo uma imensidão de pessoas sós
algumas conversam, aglomeram-se brevemente
mas
acho que, provavelmente, deveria estender ao limite possível e desagradável, aquela expressão que ouvi: as comunidades não existem, formam-se momentaneamente, fruto de necessidades ou circunstâncias…
e, o problema, é que parecemos padecer de um medo tão grande dos outros e das circunstâncias, que qualquer comunidade é ténue, lábil, e pode ser desfeita com um simples estalar de dedos, ou, melhor diria, com um insignificante lapso de comunicação (os media de comunicação podem levar a isso: e-mails, plataformas sociais on-line e até espaços físicos de momentos de encontro e, até, a trica ou mexerico a que se dá credibilidade num mar de conversas fúteis, ou fruto de mentes inseguras que espalham ódio para colher frutos amargos e estéreis…)
não investimos em relação humanas
mas, dependemos delas,
são tão importantes como o ar que respiramos
mas fugimos
fugimos de pessoas
e morremos
todos os dias um bocadinho
de solidão
escolhida ou imposta
por este estado de ser
humano
imagem: "Finding Peace in Solitude" by Si2 
 in:  http://disjointedthinking.jeffhughes.ca