quinta-feira, 6 de junho de 2013

Onde pôr a força?


eu sei, que mereço muito mais!
sou forte, quando abano é p’ra quebrar
o mundo, não existe já ruiu
as nuvens, teimam em a luz não destapar
a autoestrada foi feita para outros
não me ergo, em pedras e tropeços
como tento, se nem consigo pensar?
não desisto, recomeço em cada dia!
mas a força, já me está a faltar...
o sonho, foge entre as trevas
as lágrimas, secam antes de sair
o caminho, está tapado pelo entulho
a voz... está rouca de tentar
o ruído abafa o pensamento
acredito, mas sou só mais um fantasma
do mundo que nos pisa e enfraquece

Onde pôr a força, se ninguém abre um caminho?
Como acreditar, se as nuvens teimam em ficar?
Onde pôr o medo, nas ruas que temem abraços?
Como acreditar, se não encontro mais ninguém?

Quando é o dia?
Quanto esperarei?
Tanto sou e nada tenho
aos olhos de quem vê matéria
tantas são as vezes
que só apetece ficar em casa, parado, ser igual
se tal
fosse possível, afinal
não me dão as asas
os cães mordem e os mirones criticam
o meu sorriso, apaga-se em cada desgosto
Nada é fácil e o amargo tira o gosto
Como acredito, se me sugam a força?
tantas são as derrotas, que se turvam os olhos às vitórias
acabaram os sonhos,
onde estão os braços?

Onde pôr a força, se ninguém abre um caminho?
Como acreditar, se as nuvens teimam em ficar?
Onde pôr o medo, nas ruas que temem abraços?
Como acreditar, se não encontro mais ninguém?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

TU, és mais forte!


Tu mereces muito mais
És forte, abanas mas não cais
Mesmo que sintas o mundo a ruir
Quando as nuvens passarem vais ver o sol a sorrir
A estrada não é perfeita
Apenas uma vida, aproveita
Só perdes se não tentares
E não desistas se falhares
O que não mata engorda
Torna o teu sonho real, acorda
Limpa as lágrimas e luta
Segue o teu caminho e escuta
A voz dentro de ti
As respostas que procuras, dentro de ti
Acredita em ti que tu és
Mais forte e tens o mundo a teus pés

Tu és mais forte e sei que no fim vais vencer
Sim, acredita num novo amanhecer
Não tenhas medo, sai à rua e abraça alguém
E vai correr bem, tu vais ver

Um dia tudo fará sentido
E vais ver que terás o prémio merecido
És o que és, não és o que tens
A tua essência não se define pelos teus bens
Às vezes as pessoas desiludem
Mas não fiques em casa parado à espera que mudem
Muda tu rapaz
Muda a tua atitude, vais ver que és capaz
E nada te pode parar
Os cães vão ladrar e a caravana a passar
O teu sorriso de vitória no rosto
Nem tudo é fácil mas assim dá mais gosto
Quando acreditas a força nunca se esgota
Só a reconheces a vitória se souberes o que é a derrota
Vais ver que no fim acaba tudo bem
Sai à rua e abraça alguém

Tu és mais forte e sei que no fim vais vencer
Sim, acredita num novo amanhecer
Não tenhas medo, sai à rua e abraça alguém
E vai correr bem, tu vais ver

sábado, 18 de maio de 2013

ator-escravo


Entrou pela porta mais distante da carruagem, e vi sorrisos de "Ah, tão lindo!" nas caras de mil nações que seguiam comigo no metro. Mas, eu cá, senti uma mágoa imensa e pensei se o cão era o mesmo.
O rapazinho que eu via nas ruas da cidade onde morava, é agora um jovem homem, o cão, não sei se será o mesmo, é possível, ou será igual...
Lembrei-me de o ver a ser batido, uma e outra vez, quando, exausto, largava da boca o cesto improvisado de garrafa pet cortada e trespassada por uma corda que fazia asa. Hoje, continuava triste, a manter a pose empoleirada e de equilíbrio difícil, em cima do acordeão tocado pelo outrora menino, tão triste como ele, moldado à pedincha, sem aparência de ter sido algo mais do que isso alguma vez: sustento de família que vive à custa do próximo. 
Juro que só não lhe perguntei, porque os seus passos se esticaram, correndo de uma plataforma para outra, para tornar, de novo, a entrar numa carruagem igual e tocar acordes iguais, com o cão a fazer posse igual:  
alguma vez pensaste em viver de outra maneira?
Só descansei um pouco quando vi o cão no chão, a andar, de caminho sabido entre plataformas - temia que tivesse algo partido, de saber que era batido para obedecer às posses de amolece-corações dos pacóvios que dão a esmola...
Doeu, dói sempre.
Ver um pobre animal ser maltratado,
ver uma potencial pessoa ser um ente sem sentido e sem futuro e sem valor...


domingo, 5 de maio de 2013

ser

Hoje vi uma apresentação/perfil em que alguém dizia que não costuma ver segundas intenções nas palavras... E pensei logo: como seria tão fácil viver, se todos agissem e acreditassem, primeiro na verdade, e só depois duvidassem... (se fosse o caso de haver motivo...)
Já repararam como todos desconfiam de todos?
É, eu sou assim, acredito no que me dizem, pois não vejo motivo para a mentira... Por que raio será necessário mentir?
É certo, pensam já alguns, que não podemos mostrar tudo, mas, será que não era mais fácil viver se começássemos pela verdade?
Quantas confusões se geram pelo medo de mostrar quem somos?
E quantas mais por dizermos algo diferente do que acreditamos, do que é real?
Se alguém me disser “comprei um Ferrari ao meu filho”, eu acredito completamente, a menos que a pessoa, de seguida diga algo como: “estou a brincar, né... comprei só um carrito!”. (*)
Alguns mentem por desejar mostrar ser alguém, supostamente, mais importante, rico, conhecido... outros, para esconder quem são...
À partida, espero sempre a verdade – se deteto mentira nas palavras de alguém... acabou-se o acreditar... e muito difícil será confiar de novo em alguém que engana o próximo.
Existem, claro, níveis diferentes de gabarolice ou de mascaração da vida – não deixei de ser amiga de alguém que tinha tantas divisões na casa que me fazia sentir uma pedinte, até que lá fui e vi que a sala, o quarto e o corredor eram tão polivalentes e que, mesmo com o resto da casa, não chegavam à área do meu pobre casebre! – Algumas pessoas falam de si com uma lata de verniz ao lado, outras, são humildes. (Faço parte deste grupo mas, peco, porventura, pela exagerada simplicidade com que me aprecio e aos meus bens...)
Complicamos a vida, quando ela podia ser simples...
Mas, é certo, muitas vezes me vi olhada com desdém, julgada ignorante, pobre, desimportante – por não me vangloriar do que tenho e sou... Porque os maus hábitos fazem que se olhe o próximo como um produto de teres e haveres, de palavras ditas e quantas vezes vãs...
Não é possível conhecer alguém, apenas? Ouvir o que diz, ver o que faz – saber quem é? Isso, apenas, sem máscaras ou floreados!

(*...e disse, muitas vezes, em brincadeira, que tinha um Testarossa... mas,
de imediato o mostrava: lindo, à escala, e um maravilhoso porta-chaves...)