sábado, 20 de abril de 2013

poeira

Meninas, abram os olhos! 
Não!
Nem o amor justifica!
Nada justifica que vivam à sombra de alguém, que sejam ad eternum bichos de asas empoeiradas no escuro de uma vida partilhada...
Pecamos pela proteção que queremos dar a todos, seja isso incrustado em nós, carregadoras do mundo, nos anos em que iniciamos este percurso, seja porque os genes parecem querer que o façamos...
Mas... se essa vida é mesmo partilhada, então, porque não pode o sol dar cor e vida a nós também?
Amar é decidir dar corpo ao impulso supremo de união de duas almas, é sentir paz e realização – nunca pode ser o exercício da profissão de governanta, secretária, operária de limpeza e recetáculo de esperma.
No amor, se tens dúvidas, não está certo!
Apostaste a vida? – repensa se a vida foi aposta de dois, devem os dois repensar e reerguer a relação com os alicerces certos e sólidos – se cada um quer acrescentar a casa para lado diferente... ou alargam o terreno, ou... dividem em dois lotes!...
Ai,... os filhos... – os filhos são pessoas! Ou sabem (ou aprendem) a respeitar-te como pessoa, ou algo está errado! – Eles têm de saber que também precisas de um pouco de tudo o que lhes dás...
O amor não se tem... VIVE-SE! É a escolha de viver os sentimentos, é uma escolha a dois, não se pode amar sozinho, só se pode vivê-lo, a dois. E, então, atingimos a realização suprema, todas as pedras são leves para afastar do caminho, todos os medos se volatilizam na luz da felicidade, há paz...
Sacode as asas!
Deixa o sol mostrar as cores lindas que as pintam!
Voa!...

terça-feira, 9 de abril de 2013

maus encontros

algumas pessoas parecem viver só para destruir a pureza dos atos dos outros
parecem não conseguir ver nada de bom, de tão sujos que têm os olhos
cada palavra que proferimos, por mais límpida que seja, entra suja no seu ouvir

tenho pena dessas pessoas
mas
não consigo
ainda
deixar de me sentir triste por eles
e
em mim
essa tristeza invade todo o meu ser

sofro pelo mundo
morro
um pouco mais
em cada desilusão
dos encontros com seres (des)humanos


mal-aventurados
serão os que sujam o mundo
ou os que, 
por mais que o tentem limpar,
se vejam mergulhados na energumenidão?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

DesImaginagem


Quando resolvi, finalmente, apostar num bocadinho de ócio – fazer, no meio dos meus dias cheios, algumas coisas que amo – comecei por comprar uma máquina fotográfica...
Não foi “uma máquina”, foi uma simples máquina digital com alguma capacidade de focagem, que me permitiu encher pastas de fotos no pc. (Não foi preciso muito para entender que qualquer passeio breve era insatisfatório, pois a bateria, sem grandes alterações de focagem, durava apenas para umas 80 fotos, e seguiu-se a compra de bateria suplementar!)
Havia ideias associadas ao fotografar: queria fazer um site sobre o meu concelho, que tivesse desde imagens de tudo e mais aquilo até indicações visuais para acesso aos locais de maior interesse. Nem era tempo de blogs, estávamos na web 1.0 (e o pc foi a aquisição da mesma altura) – certo é que só a falta de tempo livre impediu o concretizar desse espaço virtual a que outros se seguiriam (às fotos da natureza juntei fotos de bancos de jardim, fotos de janelas, fotos de...)! Agora, penso duas vezes antes de abrir um espaço virtual, pois acho que tem de haver um sentido e um uso associado... mas, também, abri este só para libertar a alma e deixar que pessoas lessem e dessem sentido ao que escrevo com o meu sentir...
Um dia o pc morreu, e as fotos estão com ele, pousadas num disco guardado, de onde as tirarei quando houver tempo livre e outras condições associadas à causa.
A máquina, ainda a mesma, está à minha frente há semanas, a tentar-me sem sucesso, enquanto a orquídea da varanda resiste, sem que eu tenha eternizado a sua linda flor.
Tempo e vida, combatem sem razão... 

DesImaginagem

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Em busca da Maria perdida!



Era ali, no Beato, que se via a cara da Maria. Um orgulho, conhecida de todos e símbolo da nossa sociedade!
Porque Nacional é bom, não me venham cá com as histórias de que foi um padeiro inglês que a lançou na vida!!!
E lamento, dói-me o coração de cada vez que levo a Maria à boca...
...mordisco-a e... aaaaaaaaaaaaaaaaai, aquilo lá é a nossa Maria!
#!!@?&!X«!#!!! Cuetara e cia, sucedâneos sem o sabor da nossa Maria – essa sim, era boa! Supostamente, a Nacional existe lá para o norte... mas o país de mais abaixo não dá por isso!
E, por isso, faço um apelo: se alguém souber de uma marca de Maria que seja Maria, divulgue! 
EU QUERO BOLACHA MARIA...
Se não temos cuidado, ainda os espanhóis lhe dão o efeito do costume: o efeito penso higiénico – botam-lhe um formato “anatómico” e fazem publicidade com meninas igual à da evax (já fazem para tanto artigo... – bolachas, carros – publicidade em tudo igual à dos pensos higiénicos...)!
ps: a Triunfo não me convenceu...


quarta-feira, 20 de março de 2013

VIVER a vida


Só o nome “auto-ajuda” me/nos faz fugir de um livro, tantas são as pseudo-obras que pululam por aí com essa classificação – juntam-se umas quase-bulas-para-(geralmente)-emagrecer com sábias palavras para nos pôr a pensar...

Comprei, há muitos anos, um livro que li com interesse, e que forrei com papel opaco, para que se não visse o nome, pois li-o nas férias (ainda tinha disso!) em público e não queria que soubessem o que lia! Embora a lombada superior já amarelada, a capa que lhe dei continua intacta. Como ultrapassar o medo de falhar, de Petrüska Clarkson – levantando a capa que lhe dei, vejo: “para a valorização pessoal” e, a ilustrar, uma matrioska entre o surpresa e o envergonhada.

Comprei-o por me conhecer e saber que esse medo dos elogios que sempre me acompanhou me levava a, sistematicamente, distribuir louros meus (e partilhar falhas alheias), permitindo, com esse amor à sombra, que me vissem como algo que não era/sou, e o perder inúmeros caminhos abertos pelo meu saber e arte. Não o identificava com medo de falhar, mas com o pavor da ribalta, também mencionado no livro...

Vários livros foram best-sellers e todos quiseram lê-los (ainda que escondessem a capa...), o último mais falado foi “o Segredo” – que achei comércio puro, mas talvez estivesse enganada, pois, quando puseram o CD em saldo comprei, e achei as palavras interessantes e motivadoras – talvez essa ideia que tenho de dar, dar, dar, ajudar todos e não pensar fazê-lo lucrativamente, me tenha toldado o discernimento. Como me diziam três conhecimentos recentes que “espalham conhecimento” com taxas acopladas, têm de ter dinheiro para viver, por isso fazem também negócio, mas não é isso que os move!

Há poucos dias comprei algo que me puseram na mão, aconselhando-me a ler – já havia ouvido falar dela, tinha até googlado algumas coisas, mas não conhecia, e espero o momento para me permitir iniciar a leitura: Pode curar a sua vida, de Louise Hay. Reforçar os pensamentos certos é importante... Como costumo dizer, sei as receitas todas mas, pô-las em prática, tem sido outra história...

a r



Olhos vazios
sombrios
sombra de dor

cara sofrida
sem vida
falta de cor

mãos geladas
secas
abandonadas

alma cansada
de tudo
de nada