sexta-feira, 1 de março de 2013

preciso do teu corpo



hoje preciso de ti
não
não preciso de um amigo que me oiça
já não consigo falar
já não tenho força
preciso de um ser de confiança
com um corpo para me segurar a alma
porque tenho de descansar
ou morro
morro
sem um colo que me apare
afage
deixe dormir sem pensar
que me agarre a cabeça com as mãos
e faça parar as decisões que nela batalham
como se eu fosse uns seis
com cento e quarenta e quatro horas de dia
para lhes dar solução
caminho
mas não consigo
dar um passo
só quero
pousar
pousar a minha alma nas tuas mãos

confiar
por favor
por vida
por ser
poder ser

morro

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Todos diferentes, mas uns, mais diferentes que outros...


Todos já ouviram - por isto ou por aquilo, porque deu nas notícias da rádio ou tv, porque veio no jornal – falar de direitos dos deficientes, de acessibilidades, de situações em que a ASAE (ou outros fiscais avulsos) sinalizaram alguma coisa que não estava de acordo com a Lei das Acessibilidades...
É, há uma lei para isso, mas não interessa muito, porque antes de chegar a altura de se cumprirem as condições de acessibilidade a satisfazer no projecto e na construção de espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios públicos e habitacionais - a assembleia trata de aprovar novo diploma e dar novo prazo para se pôr tudo legal (outra e outra vez – traduzindo: nunca se tem MESMO de cumprir, porque está sempre no prazo de adaptação)...
De qualquer modo, o que me chateia valentemente, é o facto de um estabelecimento ou edifício público ter de pôr à porta um dístico para provar que está de acordo com a lei – ora, de acordo com a lei terá de estar sempre! E o facto de a própria lei prever o assinalar do estar de acordo com ela é... ESTÚPIDO!
Para além do mais, os deficientes são tratados como cães! – têm um sinal à porta! (com o devido respeito pelos cães, que também não deviam ter sinais para coisas óbvias!)
Ora, penso eu que, o mais lógico seria os estabelecimentos/edifícios públicos que não cumprem a lei serem assinalados.
Substituam o sinal:                                                  pelo sinal:
                     
Ou seja, não tem lógica estar, em mil e um momentos, a lembrar que há diferenças – ser diferente é normal, e, no caso da deficiência física/motora, o que os locais têm de ser é adaptados a todos, e não apregoar rampinhas e elevadorezinhos (que muitas vezes não funcionam!) que, para que todos possam ser cidadãos, têm de existir à partida! – quer os cidadãos sejam coxos, amputados, para/tetraplégicos, cegos, loiros, morenos, carecas ou donos de uma grande gadelha! 
Democracia é ter o direito, mas não ter de estar a ser exibido por isso... não ter de passar por um espetáculo para entrar onde todos entram! Imaginem-se numa destas situações:
Querer aceder a um local público, e ter de o fazer por uma porta das traseiras?
Ter de parar uma fila de acesso para desempacotar o elevador de escada (que está escondidinho e tapadinho, em vez de funcional), com todos à espera a olhar para vocês?
Gostavam?
Se/Quando partirem uma perna, vão lembrar-se disso... (Pois, deficiência motora, temporária ou permanente, pode acontecer a qualquer um...)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sou?



Porque dizes que sou linda?
será que me descobriste a alma
e eu, nem dei por isso?
Porque me achas bonita?
se me sinto um farrapo...
Porque me sentes misteriosa?
se tenho a alma na boca...
serei alguma dessas coisas?
Saberás quem eu sou,
escondida como estou
num corpo que me magoa,
numa alma de mágoas repleta?
Não sei...
Se nem estou quem sou
Se nem te vislumbro a alma...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

falta de atenção... à vida

Confesso, tenho alguma dificuldade em entender as pessoas que dizem que têm e-mail, "sim, senhor!", mas que só o vão espreitar às vezes (geralmente, na melhor das hipóteses, lá para o final da semana: sexta à noite ou sábado de manhã) - ainda assim, escrevem-no nos formulários de emprego, de lojas, de empresas... como se isso os fosse ajudar...
Escusado será dizer que, se alguém se candidata a um emprego e demora mais de 24h a responder a um e-mail de uma empresa sem um atestado médico comprovativo de que estava em morte cerebral, não será selecionado!
Depois, temos outra classe: aqueles que sabem muito e vão todos os dias ao facebook - contam a vidinha toda, e são até criminosos, falando de assuntos privados alheios, pois não fazem a mínima ideia de como aquilo funciona!
As redes sociais têm níveis de privacidade! Têm de ter noção de quem está na plateia, ou pelo menos, tem bilhete, antes de falarem p'rá geral!... - Homessa! A primeira coisa que se faz, antes de postar numa rede social, é ver isso - quem tem acesso à conversa!
À custa destes "experts-de-meia-tigela" muita confusão se arranja! - queremos manter a nossa privacidade e, se um dos nossos amigos (sem aspas: um amigo ou um conhecido, e não só um "amigo-de-face") tem a capacidade de compreensão das redes sociais em nível tão abaixo do básico, pode ir a uma conversa pública expor dados pessoais que jamais divulgaríamos!... ('tás melhorzinha? >> então, a tua filha isto, a tua mãe aquilo?>> O teu patrão não sei quê...) ainda que nem percebam que o estão a fazer...
Aos primeiros, tenho de lembrar que tecnologia está aí, e não vai desaparecer... era bom marcarem um encontro com ela...
Aos segundos, só posso dizer que só é cirurgião quem sabe fazer cirurgias - não pratiquem atividades que desconhecem, sobretudo porque estão a atentar contra a vida do pximo - e nem têm a ideia de quão estúpidos estão a ser!... 
Aos normais, resta saber o significado de delete e de bloquear, e a sorte de ir a tempo...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

há uma linha que separa...

Há uma linha que separa
os erros que cometo e os que me atingem  sem serem meus...

Com os meus erros, aprendo!
Os dos outros, pedem-me a resignação de os não poder controlar!

As maiores mágoas da vida não são nossas,
os maiores sofrimentos, dores, deceções,
NÃO SÃO erros nossos!
Então, porquê sofrer?

Seria bom poder dar um pouco de luz a quem os comete,
mas, se a recusam, 
não podemos apagar a luz da nossa vida...

Encontrar essa linha
salva-nos a vida!

 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Farta de ser fodida

esta é uma das abordagens que posso fazer ao meu estado de espírito de hoje...


Quando procuramos, dia após dia, dar tudo de nós aos outros, contribuir para melhorar o mundo, para dar alegria e saber aos que nos rodeiam, e aprender a ser melhor, cada traição faz dos nossos olhos um peso, edemacia o nosso corpo de alma como se tivéssemos chorado um rio... mas, as lágrimas, essas, secaram antes de serem vertidas, ou não as vertemos por a força para tanto ter sido consumida...

A dor da mágoa é imensa e consome todo o meu ser, fruto da traição dos que se aproximam de pele macia de lã e picam com seus pelos de lobo macho crespo ignóbil e perverso...

Estarei errada?
O ódio que espalham junta-se à mágoa endurecida
e faz-me massa amorfa indesejada irreconhecida
esquecida na sombra da delicadeza do trato que lhes dou...
respiro
inspiro
onde estás, mão?
preciso de ti

Visto-lhes a pele?
não sei, não quero, não posso
Fecho os olhos?
como?
inspiro?
respiro?
pico, mordo e subo pelos cadáveres?
sobrevivo?
morro de sufoco?

sábado, 19 de janeiro de 2013

sentido e arquiteto

diz o povo,
em sua voz,
que bom porto sempre se avista.
digo eu,
só,
que não sei porquê exista...

 

há um deus?
de barba ou átomo?
de luz celeste de bíblia?
de pura energia?
de pensamentos unidos?

onde está?
que não encontro
caminho,
luz,
química,
pensantes?



só ovelhas,
bezerros,
famintos,
maldosos,
perversos,
abomináveis,
esquecidos!


se é energia,
onde está o botão?

se é pensante
haverá caminho?