quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

e o menino faz-se médico...

Há muito que oiço e reoiço aquele dito de que, se queremos saber quem são os nossos amigos, não é dando uma festa que descobrimos... Ora, não deveria ser igual quando, em vez de amigos, nos referimos a médicos...
A verdade é que, salvo raras exceções, quando nos cai um problema de saúde em cima, ficamos perdidos num deserto sem assistência... E, se a automedicação é uma solução em doenças do costume (para os que já conhecem as suas mazelas!), quando nos sentimos adoecer e não encontramos solução... tentamos explicar ao(s) médico(s) os sintomas, e eles passam a receita-da-praxe para o primeiro que ouvem e despacham a "consulta".
Aspeei consulta porque acho que aquele atendimento à pressa, seja no público, seja, muitas vezes, no consultório onde pagamos bem caro, é tudo menos uma parte do que devia ser o relacionamento médico-cliente.
Disse "cliente", porque, ao contrário do que ainda é uso neste país, e está na cabeça de todos esses energúmeros que seguiram medicina não sei bem porquê, o tema da medicina é saúde e apenas doença às vezes. Mas, infelizmente, não conseguimos manter a saúde, e não temos resposta na doença!
A acrescer a todo este desprezo por quem lhes dá o pão, as pilulazinhas que vão dando criam misturas que, muitas vezes, agravam os problemas - porque nem responsabilidade para avaliação de receituário se dignam a ter...
Desta vez libertei a alma, mas gostaria de libertar o corpo... Dói...

domingo, 16 de dezembro de 2012

fruta da época

Venho desejar um bom Natal, Festas Felizes, em Paz e Família, com ânimo , Saúde, Felicidade,...blá-blá-blá...

Pois, que se lixe esse palavreado todo, que, de tanto repetido, perdeu todo o significado!
Este ano, quando desejarem Boas Festas, façam o favor de pensar, façam o favor de dizer algo com sentido, façam o favor de dizer algo pensando no que dizem!
E, se vos for possível, façam aquilo que vos apetecer... Deem prenda a quem quiserem, passem a ceia com quem quiserem e SEJAM FELIZES!
E não esqueçam: alguns vivem estas festas de calendário como os momentos de maior sofrimento do ano - é quando todos à sua volta lhes lembram que há que ser feliz, que há que ter família, que há que partilhar...; é quando está mais presente a sua solidão, as suas limitações...
E, se vão dar "prendas", não sejam estúpidos procurando dar uma que "custe dinheiro quanto baste para ficarem bem vistos"; não escolham o brinquedo da criança só porque a TV disse que é giro... - deem apenas (aquilo que podem comprar, claro - ou produzir com as vossas próprias mãos, dando-lhe muito mais valor...) aquilo que acham que o presenteado vai gostar e lhe vai dar um pouco de felicidade - ainda que seja a chaleira elétrica que faz falta, ainda que seja um menino jesus feito de barro comprado no supermercado, ainda que seja o caderno branco e os lápis que vão deliciar o filho da prima ou da vizinha, que tem mil e um gadgets, mas nunca pode escrever ou desenhar!  

Sejam felizes, se faz favor! 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12/12/12

Olá

o mundo ainda não acabou
são cinquenta minutos até ao fim do dia aqui por Portugal... 
(salvo a porra do desfuso horário!)
não sei se vai acabar hoje, mas não me parece...

acaba mais daqui a bocadinho...
(atentem que o bocadinho não significa bem o mesmo em linguagem da história dos mundos, 'tá?)

e...
e se se ocupassem a fazer do mundo um lugarzito melhor,
em vez de perderem tempo com tretas, 
como um suposto calendário que já foi este, já foi outros, já foram comidos dias,
...já foram comidos por tolos...
e se se ocupassem a fazer da vossa vida uma vida melhor?

Não será tempo?


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

a imagem a render

A publicidade atual que mais me faz rir:

Com unovo uinique men, tenho o poder  dulminar os prob'lemas do coro cabeludo, o poder dulminar a caspa, e a lusidade. 


(felizmente, puseram alguém a traduzir depois...)

Diga-se que alguém que foi abandonado em criança pela família para render... e ainda não teve tempo (só dinheiro - e há quem diga que esse o compra) para aprender algo mais do que a desenvoltura do seu maior dom, tem desculpa...

a minha mãe usa avental...

...eu, tenho os aventais oferecidos pelas tias e avós - cheias de boas intenções - a encher gavetas, como se fossem uma peça de museu, preciosidade de além-tempo.
Até a publicidade, que tanto modela a sociedade, e que dava aquelas donas de casa, com o seu lindo avental, a publicitar o detergente disto ou daquilo, os erradicou... - passámos, é claro, pela triste ideia de vender detergente da loiça com uma noiva a sair para a boda (jamais perdoarei essa cena, um dos piores exemplos de publicidade de que me lembro!) e, agora, lá espreita um homem à porta da cozinha, ou segura a embalagem como se tivesse descoberto a pólvora. Em caso de dúvida, põem os miúdos a fazer o papel - as senhoras, aparecem com o seu melhor ar de executivas... Mas, aventais, foram-se!
E isto tudo para dizer que, impreterivelmente, me molho quando lavo a loiça...

Devemos esquecer tudo?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ,…

Aquele ritmo ilógico de uma fanfarra, infelizmente igual às outras, impedia qualquer concentração – arruinando-me o serão! E eis, senão, quando!…tocam os bombeiros – literalmente!, ou seja, a sirene toca a fogo! 

(*O*) E finalmente aquilo ganhou interesse… quando a fanfarra se calou, e fui até à janela prevendo um momento único: uma meia dúzia de jovens corriam desalmadamente rua abaixo com enormes tambores pendurados…
O ridículo é o ilógico de não pousarem os ditos instrumentos ao pé dos restantes “músicos” e correrem leves e ligeiros!
Passados momentos recomeçou o barulho, agora de metais que sopram sempre o mesmo e apenas uns TÃ-TÃS mais ligeiros, mas foram direitos ao quartel e lá desistiram!
Não que eu não vos dê valor Bravos, mas deviam de aprumar as fanfarras. E é que ainda por cima me perseguem… - imaginem que durante décadas vivi num local onde os bombeiros faziam anos no mesmo dia que eu! Lá acordava sempre ao som da fanfarra! Umas semanas depois de me mudar descobri que a semana do meu aniversário devia ser propícia a inaugurações de corporações, porque lá vêm eles pela manhã…

terça-feira, 27 de novembro de 2012

carta de amor, carta de amizade



Meu Amor,
escrevo-te porque me apetece libertar a alma. Não sei se já te disse que te aceitaria tudo, ainda que loucura fosse a razão… Quando amamos, aceitamos essas razões…
Aceitaria até que não me amasses, e continuaria a ser a tua melhor amiga (no silêncio da injustiça da vida).

Meu Amigo,
nunca usei a tua amizade como precisava – estavas tão necessitado da minha, que a dei até à exaustão; até nos dias em que tinha dores físicas ou de alma tão fortes, que precisava de um amigo como do ar que respiro… (mais!)
Mas não, embora fosses a primeira pessoa a quem confiaria o que à minha sombra não confio, não usei, não pratiquei esse outro sentido da amizade – de aí para aqui… Só deixei fluir toda a amizade que me enche o coração para ti… Estavas tu com mazelas, dei-te a força que não tinha e inventei, na minha eterna missão de ajuda ao próximo… Como podia pôr-te nos ombros pesos ou partilhas (sequer)?
Não deste por ser egoísta, pois não? …não faz mal, foi minha a decisão de te não pesar…
Ainda não entendo porque a amizade tropeçou na única pergunta que te fiz – é estranho que não sentisses que podias contar-me esse segredo maior que atormenta a tua vida… Afinal, confessaste-o a quem não merecia, e sofres até hoje, e sempre, por isso não é?
Como é perder a melhor amiga do mundo?
Do fundo da escuridão de uma solidão sem fim,
o abraço do colo que não tens
e eu nunca te poderei dar
s

domingo, 18 de novembro de 2012

Maria(s) - a gorda e as aflitas por ser magras

Exausta, apenas por se ter levantado, entrou no edifício e logo viu a direção dos olhos da colega com que se cruzava - as suas ancas. Oh - lá voltava aquele tirar de medidas que tanto abominava!
O tempo em que esteve ausente e as mudanças de aspeto afincaram-lhes a curiosidade e agora, lá davam a miradela sempre que passavam por ela - é verdade, estava mais gorda... Porque viam os olhos alheios só a gordura; porque via neles só desprezo e regozijo, porque não via neles o entendimento das dores que a tinham feito engordar - que interessa lá isso? - nos intervalos das dietas loucas de meia maçã, de meia lata de atum com tosta singela - só tinham tempo para procurar avidamente defeitos alheios...

o peso do dinheiro

Pertenço a uma raça estranha, que não gosta de dinheiro. Sempre achei anormal as pessoas venderem a alma por uns tustos, por terem mais este ou aquele bem, que muitas vezes é só para exibir ou apregoar, que fica a um canto, que é usado de forma pouco proveitosa…

Dizem que esta crise foi fabricada para que as pessoas aprendessem como gastar o seu dinheiro e isso não me incomodou até me doer na pele – sabendo, desde sempre, que descontrolados sem inteligência económica jamais aprenderão o que quer que seja!
Oiço queixarem-se de crise, e depois falarem no arranjo do carro que foi caro e da chatice de terem de andar no carro do marido/mulher até o outro estar pronto;
oiço queixarem-se do preço dos livros da escola, mas darem uma PSP de última geração aos filhos;
oiço dizerem que o frigorífico está vazio, mas irem arranjar cabelo e unhas;
oiço dizer que a vida está cara, mas a casa de praia está para todos os fins de semana e alargamentos…
e, oiço tanta coisa… que paro de intervir em conversas sem nexo de debilitados sociais e mentais, que não fazem ideia do que é suportar camionetas que nunca foram lavadas desde que as compraram aos nórdicos, que têm peças cortantes, onde chove, onde o cheiro a pó torna o respirar uma tortura…
e dão-me vómitos os meninos com PSP e computador de última geração para inglês ver – pois é só mais uma máquina de jogos – enquanto outros vivem de carcaças desatualizadas quando tanto precisam, e estudam sem livros…
e vejo salários reduzidos, taxados, usurpados; vejo medicamentos por aviar; vejo os subsídios que serviam para pagar dentistas, sapatos-do-ano, delapidados…
Onde estou eu que não reconheço amantes da polis nessa resma rançosa de políticos de merda que só querem ser famosos e encher os bolsos de benesses e privilégios?
Sempre tive medo de instabilidade mas, PORRA – da merda de cão não passamos! Mais vale recomeçar!

Maria(s) - a gorda e a magra

- Mas o que é que tu tomaste?
- Eu? Nada, já te disse que nada!
- Tu não me queres é dizer! – Diz lá, não podes ter emagrecido assim sem tomar nada…
- Bolas! Mas, afinal, para que perguntas, se não acreditas no que digo? Porra!
- Podes dizer, sou tua amiga…
A fixação da “amiga” nas suas medidas tirava-a do sério! Sim, a mesma amiga que sempre se havia considerado mais magra que ela, apesar dos braços da grossura das suas coxas! – nitidamente, um problema de observação…
A partir dali, todos os contatos tiveram pelo meio o 
Então, ainda estás magra?”, com um tom de voz denotando o desejo de a ver baleóide, para companhia…
Amiga???
Abominou os dias em que tinha aberto a alma a alguém tão fixado num pormenor daqueles!...
…como se a vida fosse só medidas de corpo, como se a dimensão de um corpo fosse mais do que o sentir de um equilíbrio…
(primavera 2012)

os trabalhos de grupo



Não sei como é para vós mas, lembro-me dos tempos de escola na infância/juventude, em que nos davam trabalhos para fazer em grupo… - a dificuldade é que ninguém prepara(va) os alunos para isso!
Delors e os seus pilares da Educação clarificaram algumas ideias (afinal, isso da “União Europeia” serve para alguma coisa!) – mas, na prática, no nosso jardim à beira-mar plantado não se formam cidadãos com espírito colaborativo e capacidade de diálogo e respeito para com o próximo.
O meu último trabalho de grupo foi assim (licenciatura):
  • alguém teve a ideia de formar o grupo antes do prazo (+?)
  • feitos os convites e aceites (+), “alguém” atabalhoou a apresentação, esquecendo-se de quem tinha convidado (-)!!!
  • propostos e escolhidos momentos e lugares/meios (+), “alguém” quem me chagava todos os dias num deles, de repente, afinal, não sabia usar o meio (-)
  • como é costume “alguém” começou a dar ordens, sem pedir sequer opinião dos restantes elementos do grupo (---------)
  • “puxadas as rédeas” à carroça, arrumaram-se “os bois” que iam atrás e seguiu o cortejo (…)
  • perdido um ror de tempo a afinar agulhas (-) (mas, afinal, também é para aprendermos coisas  que trabalhamos em grupo(+)!) viram-se resultados (+)
  • contudo, ao longo dos momentos de trabalho, alguns davam desculpas como (-)  precisarem de fazer coisas e terem vida – como se os outros fossem extraterrestres!
Aquela coisa chata que acaba por acontecer, que é os que “até têm umas luzes” do funcionamento da coisa (“de espírito colaborativo e capacidade de diálogo e respeito para com o próximo”) tentarem dar um alicerce ao trabalho [se forem como eu, tentando manter-se na sombra], muitas vezes cai em saco roto, e o carro à frente dos bois com autoritarismo é bem melhor aceite, ainda que a direção esteja errada…

os trabalhos de grupo…
…às vezes, são o cabo dos trabalhos!