sábado, 28 de julho de 2012

posso ser menos pessoa?

Não sei
e não sabe ninguém
porque me prendo
na vontade de ser certa
eu
humana
correta

Não sei
porque não sou também
porque não me vendo
ao hábito tão perto
vosso
gente
incorreta

Só sei
que assim nasci
cresci, existi
e não consigo querer
que é certo crer
que não estou certa

E sei
que a maré é forte
e segue outro rumo
mas tento
segurar os náufragos
enquanto não afogo

o Outro


Alguns, não sabem o mal que causam, com críticas que refletem o seu justo sentir, fundeado, quantas vezes, no desconhecimento do outro. Vós criticais, eu critico! – Tento compreender, encontrar motivo para cada atitude… será que sentem este meu cuidado? – penso que não, pelo cuidado que não vejo…
Quantas vezes engolimos em seco as críticas que não sonham quem somos?
Quantas vezes, até com amigos, desistimos de explicar motivos e sentires, e lamentamos a abertura que tivemos?
Na primeira pessoa direi que, muitas vezes, só reconheço o desconhecimento de mim e o desprezo pelos meus quês quando somos mais que dois e as gralhas e metralhas revelam que falei demais. (Quando somos mais que dois, desistimos de ser amigos?)
Mas sou eu, mais sentida ou menos preocupada, sou eu.
(Quanto mais maiúsculo é o A de amigos, mais sentidos ficamos!)


segunda-feira, 23 de julho de 2012

A mobília da entrada.

Hoje, substituí uma colega num posto de atendimento/receção e 100% das pessoas que passaram (funcionários, dada a hora) me disseram "Boa tarde" e/ou fizeram um sorriso! - Isto é absolutamente espetacular!*
Já me aconteceu, em situações anteriores, e até por períodos de dias ou semanas, ocupar "receções", e constatei que quem passa ignora, a maior parte das vezes - pura e simplesmente -   o colega que está nessa posição...
Os rececionistas são tratados como mobília, como parte do equipamento fixo, e sem pingo de respeito.
Discutindo este assunto com as colegas que desempenham habitual e continuadamente a função, constatei ser a realidade dos seus dia-a-dias.
Ora, oferecesse-me perguntar: Os filhos da puta** não veem os colegas? - distração é algo casual, quando deixa de ser pontual, é má educação pura e crua!
Euzinha, que sempre achei que a imagem de uma entidade ou empresa está, exatamente, nas mãos de quem atende o público, dou a importância merecida a quem desempenha essa função (e não foi por os substituir que abri os olhos - a minha postura não mudou, pude foi constatar que a postura da maioria é aberrante!).
E se algo mais lamento, é a falta de capacidade dos decisores para prestarem a devida atenção a estes postos de trabalho (dando formação adequada a quem os ocupa, para melhorarem o seu desempenho, por exemplo, ao invés de deixar nas suas mãos, mais ou menos hábeis, a autoformação).
Ora, pense bem... - como tratou o/a rececionista/telefonista/porteiro da última vez que passou por ele(a)?
Vá lá, abra os olhos! (Nem que tenha de ser pelo egoísmo da importância - real - destes funcionários.***)

alma minha
 
* Pareço o meu amigo M :)... 
**...com o devido respeito às suas mãezinhas, entenda-se este epíteto no seu uso coloquial.
*** Agora conhecidos (os funcionários) por "colaboradores" (como se o nome que lhes é dado mudasse a postura de quem o verbaliza/escreve!!!).

sábado, 7 de julho de 2012


Sólidas de fluidas, caem no rosto
ondas e levas de profundo desgosto
luzem, deslizam
incompreendidas
dores de alma
abafos, sufocos
obscuras a cada umbigo perfeito 





Soa em silêncio
o seu desenho
rosto perfeito
rito de vida
ilha feliz
segura na máscara
onde vai morando

pena de nós


dói-me cada dia
a inexplicável incerteza
do pedaço que arrancaste da minha alma
quando fugiste da vida

penso, por vezes,
se parará de doer algum dia
se aceitarei
que não sejas quem parecias ser

pensamos conhecer almas
que parecem ser miraculosamente boas
no deserto de humanidade
dói mais
quando são essas as que traem a fé

há muito perdemos o ponto de retorno
penso eu, que perdi essa fé
roubada por ti
no teu momento mau
que me privou do crer

sonharei, cada dia
que haja quem me devolva essa fé
que desfaça o nó cego
que ataste, com força maior
na minha alma

gostava de desejar que o teu dia fosse feliz…

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Humanos? ou nem por isso?


Em cada dia que o sobreviver me deixa abrir os olhos, entendo a maldade que norteia muitos. E, depois, lembro o conselho de três importantes, que não segui: lê Sun Tzu!

Não sou estratega, sou só honesta; e, assim, descubro só acidentalmente alguns planos malévolos dessas almas más… - Ser “inteligente” NÃO BASTA! Há que saber lutar proativamente contra os “espertos” sem qualquer humanidade…

Como a verdade não é caminho, muitas vezes, para o entendimento de todos, a estratégia sê-lo-ia – reagir no momento dá aos incapazes certezas erradas e aos espertos felizes conquistas imerecidas.

Ainda vou a tempo de aprender*



*como tu, Carlos - a falta de símbolo gráfico de terminus de frase é intencional

sábado, 16 de junho de 2012

lágrima


Cada estrada que se abre
no seco do meu rosto
segue as marcas de uma dor
o peso de um desgosto 

Cada sopro que me custa
na batalha do viver
é uma força que se gasta
um não sei porquê sofrer 

Se amo o mundo, amo a vida
se pratico um ser de humano
porque me secam elixires
porque os tomam por engano?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

alma

Diz-me uma amiga que abro demasiado a alma… 

Refugio-me aqui dessas luzes que me cegam, de dizeres e invejas, tentando dar vazão ao meu ser, que está preso num mundo enfermo; tão enfermo que raros são os que não estão contagiados…
Mas, por descuido ou confiança, deixei que alguns soubessem de quem é a alma que lhes chegaria diferente, talvez, se não sabendo que corpo a carrega.
A exaustão dos dias ultrapassa o ponto em que o voo da alma é possível, e esta pousa, demais; enferma de setas venenosas e batalhas sem nexo…  

Pousa, alma
pousa e descansa
respira, transpira o veneno
inspira a beleza
de um mundo
com sombras escuras
sopra essas nuvens e vê o verde
e vê o azul
e vê tantas almas
cansadas, vergadas, esquecidas
mas lindas
precisando ver além dessas sombras
para sorrirem
também
contigo
e juntas, as almas
farão o verde, o azul,
trespassar o véu escuro
inspira, respira
vive
crê
sê feliz
TU

domingo, 10 de junho de 2012

Os pés na parede

Quando me pousou o documento em cima da secretária – uma vez mais, como os fracos sempre fazem – a minutos do final do horário de trabalho, dizendo com o higiénico “por favor”, para assinar e devolver…


…respirei calmamente (afinal era o meu primeiro dia, depois de férias tiradas para descansar das más companhias do trabalho!), olhei para aquilo vagamente, e fui ter com ela, pedindo, educadamente (também eu sou muito “limpinha”), que me desse uns minutos.

Três quartos de hora depois, eu havia dito tudo quanto estava encravado da garganta ao reto, na consciência perfeita de que nada havia mais a perder, e sentia-me bem leve! (só quatro meses depois, descobri que, afinal, a sala de reuniões tinha paredes bem mais finas do que julgava, e os colegas sabiam fazer silêncio, quando queriam… - ou seja - fiquei mais leve ainda…)

À distância, posso acrescentar que o pior defeito será o esquecimento… Ainda que as pseudopessoas reajam às verdades ouvidas do outro lado da mesa, da porta, da parede… rapidamente esquecem, e voltam aos maus hábitos assumidos como normalidade.

Mas relembro a ideia-chave daquele livro de Desmond Morris (que cometi o erro de emprestar! – e perdi!): os primatas dão o rabo para obter Paz, rebaixam-se, por terem medo (generalizem sabiamente, sem esquecer que ele se refere aos primatas em geral; não engulam a ideia como escatologicamente* é costume) … Ora, mostrar medo não é o melhor nesta selva em que vivemos, mesmo quando são os outros que supõem o medo na indiferença do nosso cansaço – o respeito parece surgir só quando damos voz aos direitos que sempre tivemos!

Tentem ser pessoas, por favor,
com alma

*e este escatológico é mesmo de rabo e fezes, e não de tempos perdidos ou confins de mundo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

julgamentos apressados

Uma das coisas que sempre me doeu, desde que me lembro de ser eu, é que outrem me julgue mal - isto, no sentido real, que julguem que sou algo que não sou, guardando no seu imaginário uma imagem que em nada corresponde a mim.
Fraqueza? Claro; contudo, não tenho a benesse de pertencer aos bem-aventurados que não têm consciência dos seus quês e porquês - conheço os meus "defeitos" (que prefiro chamar às caraterísticas de cada um isso mesmo: caraterísticas pessoais, e não necessariamente defeitos - ainda que possam ser desagradáveis ou limitadoras), sei, quase sempre, o que fazer para ser melhor pessoa, e sei o que não quero mudar em mim (...e o que é difícil mudar).

Certo é que temos de saber quando desistir de ser colírio em olhos alheios...

Algo que mil vezes vivi, foi a generalização de ditos populares - como se todos fôssemos espelho dos erros de cada um - ser justo e ser visto como "puxando a brasa à sua sardinha" cansa... Ainda assim, desculpo o facilitismo das análises via chavão pelo cansaço geral do povo, justificando o seu pouco esforço para a compreensão do que(m) o rodeia.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

dei a volta à alma...


Hoje dei a volta à alma…

Estava asséptica; por opção, eu sei… mas, para clean, estava um pouco demais; então, dou-vos um pouco mais d’(a minha) alma, esperando que não achem o visual demasiado rococó J.

Desculpem qualquer coisinha, que não vos tenho dado gritos de alma – não por falta de vontade, mas porque outros fatores se atravessaram no caminho!

Paz a todos, que o dia é dela.

com alma

sexta-feira, 18 de maio de 2012

menino jesus

luz


Acredito
Oh céus, acredito
que a força da fé em nós próprios
é motor de grandes feitos
de conquistas, caminhos, alegrias;


Acredito
Oh Terra, enrugada, seca, molhada
que haverá forma de os despertar
de os pôr conscientes, também
a acreditar;


Sonho
com colírio pra cada olhar
com arco-íris belo, límpido
com olhares de olhos abertos
certos, despertos…


Sou,
certamente,
marginal - de sonhos, anseios -
sem capacidade viral,
para vos dar todas as cores do espetro!

domingo, 6 de maio de 2012

pousam as mentes

Quando vejo o mundo parado
dói-me a alma pelo seu silêncio
sinto-me pária em terra de loucos
sobrevivente sem porto de abrigo

Pousam as mentes na inação
no consumismo do hábito feito
esquecem que é delas também a função
de ser vivente, pensante: pessoa

Não posso crer nas aparências
sei, há mais vida neste planeta
mas, muitos dias, repouso a minha
exausta, rouca, e já pouco crente…

sábado, 28 de abril de 2012

ser pessoa

Nasceste
para ser pessoa;
mas, aprendeste
a esconder o rosto...
Julgaste,
toda a vida,
ser normal
o hábito herdado
do uso obrigatório
desse véu total
que te cobre,
que te esconde;
que esqueçeste
como é seres tu.
A sombra,
que sempre projetaste,
tapa, até dos teus olhos,
aquilo que és...

Liberta-te!
Sorri,
porque queres!
Fala,
aquilo que pensas.
Desteme,
o olhar e a censura,
e vive
por isso nasceste...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Licenciados II


Ao longo da minha vida, fui conhecendo inúmeras pessoas que, tendo um curso superior, se revelavam absolutamente impreparadas para a vida, sendo a sua visível lacuna de formação, muitas vezes, em aspetos fundamentais para o desempenho da função para a qual, supostamente, tiveram formação superior.

Confesso que só há curtos dias consciencializei, efetivamente, que a culpa não era deles!

Não, não foi o Marinho Pinto que me abriu os olhos… - conheci, sim, muitos docentes do ensino superior, e pude avaliar as suas (in)capacidades e, acima de tudo verificar como a forma de avaliar alunos é… incompleta, inconsistente, inválida, muitas vezes - e pelo facilitismo a que esses docentes se permitem, para que o tempo que perdem a exercer a sua profissão não incomode a sua vidinha…

No nosso país tudo falha pela falta de capacidade de levar em frente as grandes ideias que temos; legislamos, e, depois, com aquele complexo do tempo da outra senhora, não fiscalizamos o cumprimento, porque verificar se se cumpre a lei é feio, é ser pidesco, etc.

No professorado, vive-se entre a chaga da perda de estatuto de intocável (o desrespeito indevido de alguns por uma profissão tão importante), e a chaga da infelicidade da sua manutenção, à custa de incautos alunos (e pais, se falamos do EBS) que não sabem exigir o cumprimento dos seus direitos!

Quando um aluno torna visível uma falha – automaticamente é abusado pelo espírito maligno do professor que defende a sua posição de alto de pedestal, com a arrogância dos incompetentes! – penalizando, desmotivando, marcando para a vida,…

Ora eu, não entrei para a faculdade com 17 anos… (mas nessa idade já tinha raciocínio q.b.!), e surpreende-me, mais do que a incapacidade de alguns professores, o facto de outros, que poderiam ser bons profissionais do ensino, serem umas maria-vai-com-as-outras, e deixarem de fazer bem, perpetuando e agravando a incompetência da classe! – Para esses o meu pedido: cumpram!

Não posso esquecer que as palavras que um dia uma (efetivamente) professora me disse: que eu poderia fazer o curso que quisesse… – sabe, estou infeliz por saber que sim…Por um lado, perdi anos, e já poderia fazer [quase]todos os que me agradavam e me deixaram indecisa; por outro… o saber que os posso fazer sem grande esforço… deixa-me… insatisfeita.

Licenciados I


A organização social atual está estruturalmente desregulada!

Nós, seres sociais, fomos aprimorando as estruturas sociais – sendo, na atualidade, os organismos estatais e as autarquias locais entidades institucionais que, talvez longe de aprimoradas, são máquinas pesadas, onde, na grande maioria dos casos, um funcionário não sabe informar sequer o que se faz na sala ao lado – são desreguladas por terem poeira do tempo nas engrenagens, por falta de chefias competentes que os rentabilizem.

Agora, em plena crise financeira, as autarquias – ou seja, aquelas entidades que deveriam trabalhar na prossecução do bem-estar das populações, são um verdadeiro risco para estas, pois, há falta de fundos e, então, todas aquelas licenças que são tantas vezes ridículas, pelo trabalho que dão, sem qualquer benefício, são exigidas e, se algum cidadão incauto não sabe de cor que tudo é regulamentado e passível de licenciamento – lá incorre em coimas, por vezes muito para lá do que lhe seria possível pagar – sendo que (cereja no topo do bolo), na atualidade, contribuindo para a crise, as autarquias procuram resolver a sua própria crise de financiamento com uma verdadeira caça à coima…

E você, está licenciado?

sábado, 7 de abril de 2012

diário de uma mulher normal, 7 abr

acordei, era dia e o relógio marcava 7 horas; fiquei confusa: da “noite” ou da manhã?
gelada, lembrei que me ia levantar, depois de tentar dormir uma sesta sem sucesso, que deixei no pc o Toy Story 2 começado há não muito e pensava em como fazer açorda de gambas só-p’ra-um…
…o hino da rtp rodava de seguida, a imagem já tinha fugido, e eis que se ouve aquele programa horrível do fim de tarde – é isso, aquele relógio estava em AM/PM, e é de tarde! Não sei quantos minutos dormi, mas foi profundamente, tanto que o meu coração ressalta, ao voltar ao ritmo de acordar… e o que menos me apetece é comer, quanto mais pensar em açorda e camarão!
liguei o aquecedor e sentei-me no pc, a procurar meridiano que me desse ritmo, e calmia ao ritmo ressaltado…´
na dois, que consigo por vezes ver no pc, a Laurinda traz o Paulo Lameiro, que ajudou no ritmo, mas o frio… (deverá ter de ser a chá… ou açorda!)