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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

sal e sombra


fogem dos meus olhos
sem que as consiga prender
teimam em sair
fugir
como se fugindo
levassem com elas a dor
e houvesse num recanto
amor
para o vazio preencher

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

sms

queria parar o tempo
parar tudo
poder pensar
luxo
pensar é um luxo
penso bibliotecas inteiras num só dia
mas fogem as palavras na solidão

parar
de correr atrás de nada
para lugar nenhum
sem destino
sem fim
sem crença
que essas
perdem-se em cada dia

não ter prazo
nem tarefas inglórias
ditadas por aventesmas
que foram erguidas para os degraus de cima
e cospem e escarram
sem mais utilidade

e talvez quisesse
que escrever estas linhas em dois minutos 
não fossem estranheza para ninguém
pois
assim
haveria alguém com quem as fazer som

sábado, 9 de novembro de 2013

Quando somos pequeninos...


Quando somos pequeninos,ninguém nos diz como é viver…

Ninguém nos ensina a precaver o sofrimento, as dores que, mais do que de crescimento, são dores do errado acercando-nos e corroendo as luzes que teimam em brilhar no nosso pensamento. Aquele sorriso que temos, fruto de cada descoberta, de cada passo dado num mundo maravilhoso, tropeça na malvivência alheia e transforma-se num esgar de sofrimento, em cada minuto em que somos confrontados com a consagração do malfeito.

Se, numa transição para o mundo-dos-grandes, ainda nos permitem brados de insatisfação, quando lá ficamos, somos açoitados de cada vez que vemos um arco-íris – sacrilégio, almejar ao belo! 

Cada desenho tem de ser casa branca de telhado vermelho – ainda que não os haja à vista, com chaminé de há dois séculos, ladeada de árvore de copa redonda e verde  e com uma nuvem de algodão a bordar um céu celeste…

Cada casa tem de ter as mesmas paredes, o mesmo quadrado, as mesmas janelas…

E, depois, todos vemos e vivemos esse quadro feio, onde já ninguém sorri.


Muito menos os que pensam, e podiam salvar o mundo…