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domingo, 15 de janeiro de 2017

suicídio assistido

"faltou às aulas, porque é estúpida!...
foi para o hospital...
tomou sete comprimidos para dormir...
e mais... o que apanhou..."
Ouvir isto a uma jovem adolescente, em conversa de fim do dia com a mãe, que perguntava se a colega que estava a faltar à escola estava melhor (em semana de reunião de pais, em que vão sabendo destes pormenores...) é...

Triste!

As adolescentezinhas não pararam para pensar que a colega precisará de ajuda e que a sua atitude conta, enquanto pessoas que com ela convivem.

Numa situação em que deviam ser solidárias, adotam uma posição de bullies, que nem sequer reconhecem e que contribuirá para agravar os problemas da "suicida".

Assistem.

Criticam achincalhando.

Alguém terá procurado ajudar?

sábado, 13 de dezembro de 2014

5 ovos

Há umas horas, em conversa com uma colega, comentávamos o exibicionismo de uma "oferta" de bens essenciais feita perto de nós - com pompa e circunstância, exibindo as carências da "beneficiária" e "exigindo" um agradecimento à prole-de-"dadores" em filinha... 

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2871737/What-difference-week-makes-Cop-let-starving-mother-caught-stealing-eggs-just-hug-delivers-two-truckloads-food-feed-family-Christmas.htmlAliás, filinha sorridente que incluía as pessoas que, ao ser informadas que se pensava fazer um avio solidário, responderam violentamente que "não estavam para isso", que "não podiam andar a ajudar toda a gente"...
A ideia foi assim: cada um dava o que pudesse (tentando selecionar bens alimentares, entre todos) para provir o essencial, para ajudar uma colega com dificuldade em dar de comer à família... Confesso, jamais pensei que a ação se transformasse no espetáculo que foi e que só não foi mais aberrante pela simplicidade extrema e personalidade subserviente da colega que, felizmente, parece não ter sentido humilhação...
Lembrei, agora, por ver a notícia do roubo dos cinco ovos e a forma humana como um agente policial a resolveu... (cliquem na foto, para ver mais imagens e vídeo, assim como artigo no dailymail online).
Todos nós, por mais pobres que sejamos, podemos dar meia dúzia de ovos, um pacotinho de massinhas, uma embalagem de bolachas... ou um abraço, a quem precisa! E, um pequeno grupo (colegas de trabalho, vizinhos,...) pode fazer as lágrimas de alguém passarem de sofrimento a alegria e alívio. [com recato, por favor]
Não costumo dar alimentos para grandes IPSS, precisamente pelo "grandes", pela impessoalidade* desses sistemas e por saber que, tal como a colega que procurámos ajudar numa situação de crise, quem precisa não tem ajuda, neste país, sem apresentar primeiro um rol de documentos, que implicam deslocações, gastos, faltas ao precário trabalho que se tenha, para usufruir de... ajuda. É o sistema: precisa? então morra para provar que tem fome - depois ajudamos*.
Isto aplica-se a qualquer "benefício" (quem inventou que se aplicava este termo devia estar bêbado, cof, alcoolizadinho ou sofrer de handicap social idêntico ao das tias que fazem "voluntariado" cego-de-vida-real), seja "subsídio", bolsa-de-estudo ou outras coisas que tais.
(*)Compreendo as necessidades de regulação, o evitar de abusos, mas, há por aí muita gente de mão estendida a usufruir de apoios, gastando depois em luxos descarados como tabaco, canal desportivo, cabeleireiro, (quando não mais escandalosos, ainda)... enquanto outros não têm como provar que precisam e, efetivamente, estão desesperados, sem um ovo para dar aos filhos! Há uma coisa que se chama "bom senso". E a impessoalidade será boa, apenas se evitar humilhações ou que cada pão dado seja cobrado em desprezo... - Contudo... sei quanta arrogância pode estar no trato de uma assistente-socialzinha-que-só-se-borra-de-medo-de-etnias-ameaçadoras e trata "todo" o resto como desperdício humano!...
Quanto ao exibicionismo... poder-se-á dizer que o polícia da foto viu o seu ato publicitado e a situação exibida, mas, acho que (embora preferisse que a senhora não fosse identificada) o que passa a história é que já não estamos no tempo de Dumas, e não se prende alguém por roubar pão para a boca!

Le voleur avait jeté le pain, mais il avait encore le bras ensanglanté.

domingo, 18 de novembro de 2012

Maria(s) - a gorda e as aflitas por ser magras

Exausta, apenas por se ter levantado, entrou no edifício e logo viu a direção dos olhos da colega com que se cruzava - as suas ancas. Oh - lá voltava aquele tirar de medidas que tanto abominava!
O tempo em que esteve ausente e as mudanças de aspeto afincaram-lhes a curiosidade e agora, lá davam a miradela sempre que passavam por ela - é verdade, estava mais gorda... Porque viam os olhos alheios só a gordura; porque via neles só desprezo e regozijo, porque não via neles o entendimento das dores que a tinham feito engordar - que interessa lá isso? - nos intervalos das dietas loucas de meia maçã, de meia lata de atum com tosta singela - só tinham tempo para procurar avidamente defeitos alheios...

Maria(s) - a gorda e a magra

- Mas o que é que tu tomaste?
- Eu? Nada, já te disse que nada!
- Tu não me queres é dizer! – Diz lá, não podes ter emagrecido assim sem tomar nada…
- Bolas! Mas, afinal, para que perguntas, se não acreditas no que digo? Porra!
- Podes dizer, sou tua amiga…
A fixação da “amiga” nas suas medidas tirava-a do sério! Sim, a mesma amiga que sempre se havia considerado mais magra que ela, apesar dos braços da grossura das suas coxas! – nitidamente, um problema de observação…
A partir dali, todos os contatos tiveram pelo meio o 
Então, ainda estás magra?”, com um tom de voz denotando o desejo de a ver baleóide, para companhia…
Amiga???
Abominou os dias em que tinha aberto a alma a alguém tão fixado num pormenor daqueles!...
…como se a vida fosse só medidas de corpo, como se a dimensão de um corpo fosse mais do que o sentir de um equilíbrio…
(primavera 2012)