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domingo, 17 de dezembro de 2017

licor amargo




Já estava cansada de tanto anúncio de perfumes, todos iguais e sem sentido para quem tem uma vida normal e não voa em traves, não faz desaparecer paredes e não pulveriza os genitais com produtos que nem são feitos para pénis, nem devem dar-lhe muita saúde...

...e eis que chega a desgraça anual do licor beirão!

Depois de achar que o licor Beirão tinha percebido que visibilidade é diferente de bom gosto, com o anúncio de natal do ano passado, eis que nos chega um segundo ano de achincalhamento do natal e do hábito de trocar presentes.



2016:


"Anda cá ó..." / 2017:

 
Provavelmente, os "criativos" que viram estas ideias aceites devem ser testemunhas de Jeová ou membros de alguma seita que odeie, como eles, a tradição social de festejar nesta altura, de partilhar momentos em família e trocar presentes.
 
Se os presentes não são o centro das festividades (ou não deviam ser), é muito reles incitar ao descarte dos mesmos ou ao presentear para consumo próprio...
 
 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Época de ser feliz (?)


No natal circulam elixires de sorriso – vontades de ser feliz e de fazer os outros felizes…

Acoplada à época e como exigência social (e comercial) vem o “tenho de dar uma prenda!”…

É MUITO triste que assim seja. Triste porque a obrigação de um ato tira-lhe todo o sentido.

Eu faço parte do grupo de pessoas que adora dar prendas, que escolhe cada uma com um desejo profundo de fazer feliz quem a recebe.

Dou muitas? – Não. O encontro é familiar e próximo e a disponibilidade de tempo e dinheiro foi temperada com achaques-do-frio que encurtaram, ainda mais, cada uma delas. Embora o corpo pedisse o abrigo de uma manta no conforto do sofá, o pedido de adiamento do natal não é prenda concedida…

Mas, corajosamente, corri as lojas da zona de trabalho e residência, em cada intervalinho possível, buscando a prenda ideal para cada um. Na véspera fiz um esforço e fui a um grande centro comercial suprir as faltas das tais “prendas ideais” nas proximidades. Já sabia ao que ia – entrei direto em duas lojas e pedi o que queria e, de seguida, fui a uma das que tem-sempre-algo que se adequa a prendas difíceis e escolhi (as que me pareceram ser úteis ou mensageiras de felicidade) para os restantes presenteados. Até as 4 voltas e meia de fila na caixa passaram com facilidade.

Espero que cada um tenha ficado agradado com o presente.

De cinzento na ceia fica a avidez de chegada da hora – que da manhã de 25 da infância passou para a meia-noite e, no despertar de novas gerações e exigência de deslocações, foi madrugando para as 10, 9, 8 e… - e a estranheza do reparo por não ter cumprido a escolha de alguns de que só as crianças receberiam prenda… - fiz questão de presentear todos!

Não que seja a prenda o mais importante… - a minha família vive longe e, na verdade, a prenda desejada era a conversa à mesa, momento único no ano para alguns.

Num panorama nacional, fica de cinzento bem escuro a frase que me pululou na mente toda a ceia, por achar que podia estragar muitos encontros familiares por esse país fora: Preferia Beirão.

Preferia Beirão? Então, da próxima, esqueça o natal!

É que natal também é fazer um sorriso e aceitar os presentes menos desejados ou adequados como se fossem agradáveis surpresas!

Se já tive prendas estranhas ou nadinha-a-ver-comigo? – Sim… Algumas pessoas nem se preocupam, outras não sabem, mesmo, escolher prendas… ficam-se pela tal obrigação.

Passei muitos anos a tentar convencer uma familiar a substituir as meias e os lenços-de-monograma oferecidos aos homens da família por algo diferente; a tentar explicar-lhe que dar cuecas azuis não é agradável e, também, a tentar fazer conversa de quais os pijamas que gosto, para não acumular mais pijaminhas de florzinhas e folhinhos a condizer com roupõezinhos que nunca usarei… Sem sucesso!

Este ano, a cada passo da busca-das-prendas-ideais, sonhei ser pai natal – ter dinheiro que chegasse para me vestir a rigor e cumprir os desejos de natal: desejos das mães de família que olham para as prateleiras de supermercado e repensam e recontam cada tostão a tentar dar cor a uma mesa de simbolismos de felicidade; desejos afogados nas lágrimas de cada pai e mãe que não pode pagar um presente que tenha a magia de pôr um sorriso nos seus filhos na noite desse cear especial.

 

façam-se felizes!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

foiAzul

Este ano foi azul.
e, tal como aqui não tenho passado, também ela aguarda, ainda, a dedicação do limpar do pó de época e do arrumar em caixinha e capa protetora, até para o ano - este ano já.
Resistiu, apesar de uns dois ou três solavancos de gatos mais afoitos. Que, sim, são as sempre-crianças de quatro patas que regulam a decoração da casa (aliás, a decoração e a arrumação! - (des)arrumação nada importante, quando a honra de os ter como companheiros de casa e os carinhos que nos dão são bem maiores!...). Mordidelas (a impedir luzes) e roçadelas, já sem trepadelas, que o peso não deixa...
Mas, se azul é, na nossa tradição, a cor de começar o ano, então, começámos bem, por aqui!
E começámos bem, mesmo!
com
sorrisos semeados entre lágrimas de alegria,
escondidas de olhares incompreendedores,
sossobradas entre desconhecidos...
apenas
felicidades mil
ofuscando todo o pó dos dias forçados.
ps: esteja sempre a força co(n)m(t)igo!

sábado, 13 de dezembro de 2014

5 ovos

Há umas horas, em conversa com uma colega, comentávamos o exibicionismo de uma "oferta" de bens essenciais feita perto de nós - com pompa e circunstância, exibindo as carências da "beneficiária" e "exigindo" um agradecimento à prole-de-"dadores" em filinha... 

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2871737/What-difference-week-makes-Cop-let-starving-mother-caught-stealing-eggs-just-hug-delivers-two-truckloads-food-feed-family-Christmas.htmlAliás, filinha sorridente que incluía as pessoas que, ao ser informadas que se pensava fazer um avio solidário, responderam violentamente que "não estavam para isso", que "não podiam andar a ajudar toda a gente"...
A ideia foi assim: cada um dava o que pudesse (tentando selecionar bens alimentares, entre todos) para provir o essencial, para ajudar uma colega com dificuldade em dar de comer à família... Confesso, jamais pensei que a ação se transformasse no espetáculo que foi e que só não foi mais aberrante pela simplicidade extrema e personalidade subserviente da colega que, felizmente, parece não ter sentido humilhação...
Lembrei, agora, por ver a notícia do roubo dos cinco ovos e a forma humana como um agente policial a resolveu... (cliquem na foto, para ver mais imagens e vídeo, assim como artigo no dailymail online).
Todos nós, por mais pobres que sejamos, podemos dar meia dúzia de ovos, um pacotinho de massinhas, uma embalagem de bolachas... ou um abraço, a quem precisa! E, um pequeno grupo (colegas de trabalho, vizinhos,...) pode fazer as lágrimas de alguém passarem de sofrimento a alegria e alívio. [com recato, por favor]
Não costumo dar alimentos para grandes IPSS, precisamente pelo "grandes", pela impessoalidade* desses sistemas e por saber que, tal como a colega que procurámos ajudar numa situação de crise, quem precisa não tem ajuda, neste país, sem apresentar primeiro um rol de documentos, que implicam deslocações, gastos, faltas ao precário trabalho que se tenha, para usufruir de... ajuda. É o sistema: precisa? então morra para provar que tem fome - depois ajudamos*.
Isto aplica-se a qualquer "benefício" (quem inventou que se aplicava este termo devia estar bêbado, cof, alcoolizadinho ou sofrer de handicap social idêntico ao das tias que fazem "voluntariado" cego-de-vida-real), seja "subsídio", bolsa-de-estudo ou outras coisas que tais.
(*)Compreendo as necessidades de regulação, o evitar de abusos, mas, há por aí muita gente de mão estendida a usufruir de apoios, gastando depois em luxos descarados como tabaco, canal desportivo, cabeleireiro, (quando não mais escandalosos, ainda)... enquanto outros não têm como provar que precisam e, efetivamente, estão desesperados, sem um ovo para dar aos filhos! Há uma coisa que se chama "bom senso". E a impessoalidade será boa, apenas se evitar humilhações ou que cada pão dado seja cobrado em desprezo... - Contudo... sei quanta arrogância pode estar no trato de uma assistente-socialzinha-que-só-se-borra-de-medo-de-etnias-ameaçadoras e trata "todo" o resto como desperdício humano!...
Quanto ao exibicionismo... poder-se-á dizer que o polícia da foto viu o seu ato publicitado e a situação exibida, mas, acho que (embora preferisse que a senhora não fosse identificada) o que passa a história é que já não estamos no tempo de Dumas, e não se prende alguém por roubar pão para a boca!

Le voleur avait jeté le pain, mais il avait encore le bras ensanglanté.