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terça-feira, 9 de abril de 2013

maus encontros

algumas pessoas parecem viver só para destruir a pureza dos atos dos outros
parecem não conseguir ver nada de bom, de tão sujos que têm os olhos
cada palavra que proferimos, por mais límpida que seja, entra suja no seu ouvir

tenho pena dessas pessoas
mas
não consigo
ainda
deixar de me sentir triste por eles
e
em mim
essa tristeza invade todo o meu ser

sofro pelo mundo
morro
um pouco mais
em cada desilusão
dos encontros com seres (des)humanos


mal-aventurados
serão os que sujam o mundo
ou os que, 
por mais que o tentem limpar,
se vejam mergulhados na energumenidão?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

DesImaginagem


Quando resolvi, finalmente, apostar num bocadinho de ócio – fazer, no meio dos meus dias cheios, algumas coisas que amo – comecei por comprar uma máquina fotográfica...
Não foi “uma máquina”, foi uma simples máquina digital com alguma capacidade de focagem, que me permitiu encher pastas de fotos no pc. (Não foi preciso muito para entender que qualquer passeio breve era insatisfatório, pois a bateria, sem grandes alterações de focagem, durava apenas para umas 80 fotos, e seguiu-se a compra de bateria suplementar!)
Havia ideias associadas ao fotografar: queria fazer um site sobre o meu concelho, que tivesse desde imagens de tudo e mais aquilo até indicações visuais para acesso aos locais de maior interesse. Nem era tempo de blogs, estávamos na web 1.0 (e o pc foi a aquisição da mesma altura) – certo é que só a falta de tempo livre impediu o concretizar desse espaço virtual a que outros se seguiriam (às fotos da natureza juntei fotos de bancos de jardim, fotos de janelas, fotos de...)! Agora, penso duas vezes antes de abrir um espaço virtual, pois acho que tem de haver um sentido e um uso associado... mas, também, abri este só para libertar a alma e deixar que pessoas lessem e dessem sentido ao que escrevo com o meu sentir...
Um dia o pc morreu, e as fotos estão com ele, pousadas num disco guardado, de onde as tirarei quando houver tempo livre e outras condições associadas à causa.
A máquina, ainda a mesma, está à minha frente há semanas, a tentar-me sem sucesso, enquanto a orquídea da varanda resiste, sem que eu tenha eternizado a sua linda flor.
Tempo e vida, combatem sem razão... 

DesImaginagem

quarta-feira, 20 de março de 2013

a r



Olhos vazios
sombrios
sombra de dor

cara sofrida
sem vida
falta de cor

mãos geladas
secas
abandonadas

alma cansada
de tudo
de nada

quarta-feira, 13 de março de 2013

quando os tempos torcem as linhas

Hoje vivi um daqueles dias em que pensei sobre os caminhos que seguimos e os encontros (e desencontros) que temos, e, confesso, cheguei a pensar, num caminho que me (a)pareceu aberto: se é para acontecer, então, destino, faz com que aconteça!
O céu poderá escrever caminhos, mas a vida, forçada, sofrida, corrida, arranca-nos a pele de pessoas e faz-nos pedaços de um sistema inválido há muito, incapaz e desconexo, um caminho para lado nenhum, onde nos perdemos sem nos encontrar...
Nem a nós reconhecemos no espelho, como podemos (re)conhecer alguém que deva ser um bom amigo, um parceiro de projeto, e, até, um amor?
Quando te olhaste no espelho pela última vez
te olhaste, mesmo, e te viste?...
Não falo de uma mirada fugaz, mas de ver os traços e a alma, que dos nossos e todos os olhos transborda...
 
Esses, os olhos com que nos cruzamos, e os que vemos no espelho, são tristes, quase todos, ou inexpressivos de vida vazio em corrida sem destino válido... 
 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Farta de ser fodida

esta é uma das abordagens que posso fazer ao meu estado de espírito de hoje...


Quando procuramos, dia após dia, dar tudo de nós aos outros, contribuir para melhorar o mundo, para dar alegria e saber aos que nos rodeiam, e aprender a ser melhor, cada traição faz dos nossos olhos um peso, edemacia o nosso corpo de alma como se tivéssemos chorado um rio... mas, as lágrimas, essas, secaram antes de serem vertidas, ou não as vertemos por a força para tanto ter sido consumida...

A dor da mágoa é imensa e consome todo o meu ser, fruto da traição dos que se aproximam de pele macia de lã e picam com seus pelos de lobo macho crespo ignóbil e perverso...

Estarei errada?
O ódio que espalham junta-se à mágoa endurecida
e faz-me massa amorfa indesejada irreconhecida
esquecida na sombra da delicadeza do trato que lhes dou...
respiro
inspiro
onde estás, mão?
preciso de ti

Visto-lhes a pele?
não sei, não quero, não posso
Fecho os olhos?
como?
inspiro?
respiro?
pico, mordo e subo pelos cadáveres?
sobrevivo?
morro de sufoco?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

e o menino faz-se médico...

Há muito que oiço e reoiço aquele dito de que, se queremos saber quem são os nossos amigos, não é dando uma festa que descobrimos... Ora, não deveria ser igual quando, em vez de amigos, nos referimos a médicos...
A verdade é que, salvo raras exceções, quando nos cai um problema de saúde em cima, ficamos perdidos num deserto sem assistência... E, se a automedicação é uma solução em doenças do costume (para os que já conhecem as suas mazelas!), quando nos sentimos adoecer e não encontramos solução... tentamos explicar ao(s) médico(s) os sintomas, e eles passam a receita-da-praxe para o primeiro que ouvem e despacham a "consulta".
Aspeei consulta porque acho que aquele atendimento à pressa, seja no público, seja, muitas vezes, no consultório onde pagamos bem caro, é tudo menos uma parte do que devia ser o relacionamento médico-cliente.
Disse "cliente", porque, ao contrário do que ainda é uso neste país, e está na cabeça de todos esses energúmeros que seguiram medicina não sei bem porquê, o tema da medicina é saúde e apenas doença às vezes. Mas, infelizmente, não conseguimos manter a saúde, e não temos resposta na doença!
A acrescer a todo este desprezo por quem lhes dá o pão, as pilulazinhas que vão dando criam misturas que, muitas vezes, agravam os problemas - porque nem responsabilidade para avaliação de receituário se dignam a ter...
Desta vez libertei a alma, mas gostaria de libertar o corpo... Dói...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

260,21



A Maria pensou na visão do seu armário-despensa… um deserto com 1 pacote de arroz, 1 de massa, 1 lata de cogumelos, 1 de feijão, 2 de atum, uns pacotinhos de chá e 2 sobremesas instantâneas que foram aguardando dia para serem feitas… 
No frigorífico ½ dúzia de iogurtes, 1/3 de pacote de leite, ½ dúzia de cenouras e 3 embalagens de congelados para fritar, 1 saco de legumes… 
Na banca, 2 peças de fruta amadurecidas acompanhavam 1 garrafa de óleo que comprou para aproveitar os congelados…
48 horas úteis depois de receber… olhou para o saldo do banco e pensou: como vai ser? – as despesas do mês vão ser debitadas… e os 260,21 durarão quantos dias?