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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

balanço de um ano sem

 
as últimas horas foram de extravasamento da necessidade de escrever uma carta a ninguém | a alguém que sejam os meus amigos, na certeza ou esperança de que a leiam ou não leiam…
caros amigos,
aproxima-se o fim de um ano e, por hábito ou necessidade, costumamos aproveitar a quadra para rever o feito e não feito e listar desejos ou promessas de mudança…
quase todos os dias foram doridos. os maus dias fizeram o corpo quebrar, de aviso e de impotência. alguns dias não consegui mexer-me, outros arrastei-me – em dores contínuas e cansaço constante. foram dias de trabalho-porque-tem-de-ser e desmaio até ter-de-ser de novo…
costumo dizer que o corpo manifesta o afastamento entre o que somos e o que nos vamos obrigando a ser… e que todos precisamos de amigos – ora a distância foi grande em ambos
sei que sou das pessoas mais fortes do mundo – ou não estaria, ainda, viva
apesar de tudo
o não-entendimento do curso que a maioria todos dão à vida (por opção ou imitação), dando importância ao que nunca a irá ter e descurando a simplicidade que nos faz feliz ainda não está ultrapassado. nem toda a serenidade necessária foi alcançada
quebram-me as obrigações (mais que os hábitos) o curso
desejos? há um bem precioso que gostaria de ter – algo que nunca se pede. elixir do suporte de vida
analgésicos para a dor de não compreender, aceitando, embora, os afastamentos de promessas desse elixir
respiro
crio prumo para a vida que – ainda – não chegou a ser a minha
o meu elixir espalho
a vós, amigos, em especial: não lembro a última vez que falaram comigo sem ser para pedir algo, vangloriar (LOL) de quilos perdidos ou, em instância breve e de espaçamento crescente, dar um olá-consegui-isto-na-vida, sem pachorra para partilhas bidirecionais de tristezas ou alegrias.
estou
desejo que possa o início de hoje ser feliz e permissor de caminhos sólidos.
que a força esteja comigo
(mereço! – digo eu com um sorriso rasgado…)
(e sempre vos desejarei que convosco esteja)


terça-feira, 22 de agosto de 2017

eclipse

é nos momentos mais aflitos que testamos oráculos, atentamos a prenúncios e tentamos encontrar resposta iluminada para a escuridão onde nos sentimos afogar…
 
procurei uma resposta e saiu-me a carta perfeita para anunciar a luz
 
a pergunta, ensandwichada entre prozac e xanax, era se havia porta para um caminho e força para o passo – quando nem para rastejar sobrava energia.
 
veio.
 
cumpra-se!
 
quando não há luz ficamos cegos e os tropeços enrolam o tato, dificultando o encontrar dos caminhos.
 
de mãos dadas abrange-se mais terreno. mas…
esse medo contagioso de tocar o próximo deixa sós e cegos cada vez mais de nós.
 
apalpando – sem interruptores, mãos ou velas – busco o destapar do astro-rei, depois de um eclipse demorado demais.
 
e continuo a sorrir, no meio da sandwich e até ao avistar de apoio ao desmaio a que leva o esforço que essa máscara diária exige – é pesada a capa
e o super-herói tem voado baixinho
 
diz-me a carta que tudo vai correr bem, no que perguntei e em tudo o mais
 
respiro
crendo nas sortes e na sua aproximação ao merecimento…
 
cumpra-se!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

espero



ainda existem dias
longos demais
mais do que deviam
aguardando que apareças

espero-te em cada passo
como promessa de um universo
que me deve a felicidade

espero-te em cada olhar
como luz que me permita ver
toda a beleza que me rodeia

espero-te em cada sussurro
que a vida me traz aos ouvidos
no meio do ensurdecer

espero-te em cada sopro
de ar no meu respirar
nulo na solidão

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

todas as mães são coragem



Acho estranho... ouvir os pré-conceitos a propósito deste ou daquele “deficiente”… Sempre achei. E sei que fui criada nesta sociedade e, também eu, direi coisas e farei coisas que, pensando bem, são impróprias – os preconceitos são isso e são-nos incrustados desde cedo… - mas tento educar-me.
Muitos não entendem que, afinal, somos todos diferentes, que deficiências há muitas, e bem graves são essas de não se ter respeito pelo próximo, não se saber estender a mão numa qualquer situação
- de um segurar a porta a um qualquer cidadão, ainda que tenha o cérebro como eles gostam, se mexa como eles gostam e se vista como eles gostam…
(e só porque é um ser humano como eles!)
- ao perguntar a alguém que veja mal, se mova com dificuldade… se precisa de algo 
(e só porque é um ser humano como eles!)…
Usam a mão para apontar…
Foram mal-educados e, ainda que tenham cérebro funcional, não o usam para pensar e decidir o que está certo (para se educarem) e, por isso, apontam e não aceitam, afastam-se de qualquer um que não siga exatamente a norma, essa norma vendida em revistas e novelas, que produz gente igual e de plástico, com muito pouco interesse, a moda onde não há gordas, não há coxos, não há cadeirantes, não há cegos, surdos… - e só existe algo, quando se cai no meio do filme

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Carta de uma mãe a um amigo:
Falo-te na pele de mãe, mas garanto-te que, antes de o ser, já encarava essa coisa de deficiência como apenas uma diferença, uma caraterística a que, sim, temos de dar apoio, muitas vezes, mas que não deve ser exclusiva [do verbo excluir], deve sim a sociedade planear-se contando com todos. E mãe, mãe de alguém que tem uma dessas particularidades que muitos apontam a dedo. Por isso, quero revelar um pouco do que é ser mãe…


Ser mãe, é ter de proteger os filhos da maldade, do gozo perverso e vil até dos colegas de escola que são incitados por pais que nunca souberam o que é viver em sociedade; até de professores que nunca mereceram esse nome - que devia ser uma honra e uma carreira merecedora de especial louvor na sociedade - e são, por vezes, tão ignorantes que complicam o que é fácil e cerceiam o desenvolver dos nossos filhos;
Ser mãe, é ser gorda, esquelética, desgrenhada, desdentada, de saúde arrombada e descanso e convívio inexistentes, pois tem-se que o ser sempre… e não há tempo para cuidar da saúde, e muito menos da aparência; […e os pais, poucos sabem o que é ser pai, o que é ser responsável pelos filhos – há os que debandam por cobardia, e os que debandam por divórcio (acaba a magia, ou acaba a coragem), pois há desgaste acrescido, e… quase sempre esquecem que “o problema” (é triste, mas só o veem assim) é de ambos, o filho é de ambos…; bem-hajam os que são homens, integrais, humanos, responsáveis];
Ser mãe, é ser agredida em reuniões de pais; é ser violentada em guichets, em salas de espera… - porque é violento, desumano, que se ache que prioridade, horário reduzido ou adaptado, subsídios de apoio são “privilégios”… e somos agredidas, violentadas, em mil e mais um dos lugares a que vamos… e ninguém, para além de não ajudar a segurar a porta, que seja, entende que estamos exaustas por ser tudo e algo mais para esse filho que precisa… que essa coisa chamada “estado”, e que devíamos ser todos nós, uma sociedade saudável e feliz, não dá os apoios necessários – nem há a “auxiliar” para a sala de aula, nem há consultas eficazes que não façam perder um dia inteiro para que o nosso filho seja visto 4 minutos por um médico que apenas… que não faz nada que justifique, na maior parte das vezes, o sofrimento que é ir, num corrupio de transportes públicos, com tudo o necessário às costas, à consulta…; et cetera…
Ser mãe, é ver o nosso filho crescer num quarto de vidro 
pequeno para o seu corpo e mente, 
e definhar quando chega às paredes…
Partam essas paredes, por favor…
Eles não sabem, nem sonham, 
quantas almas lindas e ideias gloriosas 
se escondem por detrás dessa “deficiência” 
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