quinta-feira, 29 de maio de 2014

suicide note


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repensou a coerência que a afastara sempre do suicídio: 
ainda que nunca tivessem havido épocas de felicidade, acusar-se-ia de má pessoa se não desse ao mundo tudo e que tinha para dar! 
? mas:
afinal, até dádivas sem preço-posto eram mal-vindas, num mundo cada vez menos normal, onde já todos os humanos parecem caminhar para uma desumanidade incomportável com a sobrevivência…
toda a utilidade não utilizada é desperdício, afinal
porque não?
era cobardia? não! era, apenas, o desistir de uma luta sem fim e sem companheiros de batalha – inútil, desgastante… era o não conseguir mais respirar, sequer, de tanto aperto no peito…
lembrou os seus pressupostos de vida: a partilha, a amizade, o amor…
? mas: em que lugar isso tem importância? e para quem se, até os que apregoam humanidade são como crentes que repetem ladainhas junto ao altar e ignoram ou sentem, até, repulsa dos que gritam por pão na escada do templo?
e depois… todo esse mundo-de-obrigação que a espanca em cada dia, pelos abusos dos que querem ser importantes e esconder a sua pouca sabedoria, todas as humilhações vis dos que vivem qual brincadeirinha de adolescente com as amigas, humilhando, planeando enganos e fraudes-de-culpar-o-santo e, saindo fortes e vitoriosos, quando ao santo resta desmaiar ao fim de cada dia de trabalho?
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